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Queda do avião russo é caso político e industrial

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Como vocês acabaram de ver, um avião russo caiu no Egito, e matou 224 passageiros e tripulantes. Foi no sábado, mas não é notícia velha. Isso porque o episódio se transformou em muito mais que um acidente aéreo. Virou assunto politico. Logo depois do acidente, o grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou aquilo que argumentou ser um atentado. Mas o ditador do Egito, general Abdul Sissi, disse hoje de manhã que os terroristas não têm nada a ver com isso, e só querem fazer propaganda. O general Sissi tem razão caso se pense que o Airbus 321 foi derrubado por um míssil. O Estado Islâmico não tem esse tipo de armamento. Ainda mais para atingir um aparelho que voava a 9.400 metros de altura. E além disso não daria para esconder um lançador de mísseis no deserto do Sinai, onde o avião caiu. Mas ontem a companhia aérea disse que o acidente foi provocado por uma "causa externa". Ela quis dizer que ninguém colocou uma bomba dentro do Airbus. A Rússia também está preocupada, mas não por causa dos passageiros que morreram. Eles eram russos e voavam para São Petesburgo. A preocupação do Kremlin é que alguém associe o acidente à presença militar russa na Síria, que fica pertinho do Egito, e onde o presidente Vladimir Putin tenta ajudar a ditadura Assad a combater rebeldes e terroristas muçulmanos. E por detrás de tudo isso existem os interesses comerciais dos franceses, que lideram o consórcio que construiu o avião. A companhia aérea russa e um especialista egípcio disseram que o Airbus se partiu ao meio, como se fosse um biscoito. Nenhum avião bem construído e com boa manutenção se partiria desse jeito. Estamos, então, diante de uma questão política e industrial. E existem também os mortos. Mas, a bem da verdade, e é uma pena, ninguém ficou muito preocupado com eles. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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