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As difíceis eleições na Venezuela

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A Venezuela deverá eleger no domingo um novo
parlamento. Nenhuma pesquisa eleitoral, eu repito, nenhuma, cometeria o disparate de prever que o partido do presidente Nicolas Maduro poderia ganhar. São 165 deputados. Não tem Senado na Venezuela. E o governo bolivariano não tem mais o apoio da população. Se fosse um país democrático, e não uma ditadura disfarçada, os bolivarianos entregariam o poder e pediriam desculpas pelo estrago que fizeram. Uma inflação de 240 por cento ao ano, falta de comida nos supermercados e de remédios nas farmácias. Maduro, que é o sucessor de Hugo Chávez, controla o Exército, o Poder Judiciário e milícias armadas, que aterrorizam a oposição. Um dos líderes dessa oposição, Leopoldo Lopez, está na cadeia. Um outro líder, Luís Manuel Dias, foi assassinado por bandidos armados pelo governo. Maduro disse, em outubro que, se perder a eleição, ele vai continuar a governar com o povo, numa união entre civis e militares. Essa declaração absurda demonstra a vontade de tirar todos os poderes do Parlamento, de transformá-lo numa instituição de enfeite. Mas antes disso a turma de Nicolas Maduro vai tentar fraudar os resultados das urnas. Não existe na Venezuela uma Justiça Eleitoral. Existe uma comissão controlada pelo governo. Já estão acontecendo coisas absurdas, como a impressão de cédulas em que a oposição aparece com um símbolo capaz de confundir os eleitores mais distraídos. A oposição não pode fazer campanha no rádio e na televisão, que são controlados pelo governo. Mas vejam que na Argentina, o presidente eleito, Maurício Macri, já disse que vai propor a expulsão da Venezuela do Mercosul, porque ela não é mais um país democrático. Eis que a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, em Paris, que não existem provas para essa expulsão. Dilma disse que são apenas hipóteses, e não, entre aspas, um fato determinado. Pobre Venezuela, que afunda na ditadura com a cumplicidade do governo brasileiro. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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