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Na Bolívia, Evo Morales quer quarto mandato

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A Bolívia é mais uma prova de que alguma coisa importante está mudando na América Latina. Dentro de um mês, Evo Morales fará um referendo que poderá autorizá-lo a disputar a presidência mais uma vez. Ele já foi eleito três vezes, desde 2006. E quer um quarto mandato em 2019. A novidade é que ele agora não está certo de que poderá se candidatar. A Folha de S. Paulo diz hoje que duas pesquisas de intenção de voto dão resultados contraditórios. Por uma, ele ganha. Pela outra, ele perde. Mas nos dois casos por margem apertada. Nós já ouvimos essa história com relação à Venezuela, onde as instituições foram feitas como um terno sob medida para que os bolivarianos ficassem para sempre no poder. Mas em dezembro último eles perderam dois terços do parlamento. E agora Nicolas M aduro está com os poderes amputados. Falta ainda muito tempo para que Evo Morales termine o atual mandato presidencial. Serão quase quatro anos. Mas é possível que o tiro do referendo saia pela culatra. Seria mais um peão fora do jogo no populismo de esquerda no continente. O primeiro foi o da Argentina, onde o liberal Maurício Macri derrotou os peronistas de Cristina Kirchner. Como aqui no Brasil o Partido dos Trabalhadores está balançando, o modelo de esquerda estaria sólido apenas no pequeno Equador, onde o presidente Rafael Correa está, desde 2007, num degrau abaixo de uma ditadura descarada. Morales foi importante para a Bolívia. Ele comandou o processo que deu voz política para a população indígena. Mas ele também sucumbiu à tentação de controlar a economia. Esse tipo de coisa dá certo quando o Estado tem muito dinheiro. Acontece q ue a riqueza da Bolívia é o gás natural. E os dois principais mercados que ela tem, o Brasil e a Argentina, pressionam por uma queda de preços, que aproxime o metro cúbico das cotações internacionais. Morales não está caindo. Mas pode estar escorregando. Até o capítulo final da pouco gloriosa novela socialista. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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