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Há um quadro de desastre na saúde pública

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.

Há um quadro de desastre na saúde pública Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.
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Desde que a recessão ficou mais feia, a partir de dezembro de 2014, cerca de 1 milhão e 900 mil pessoas ficaram sem plano de saúde. Nesse mesmo período, o número de empregos formais, com carteira assinada, caiu cerca de 2 milhões.
No Brasil inteiro, 48 milhões de pessoas têm algum plano de saúde privado, cerca de 25% da população. No Estado de São Paulo, é muito mais: 42% da população.
Quanto menos emprego formal, com carteira assinada, menos gente tem plano de saúde. Mais pessoas passam a recorrer à saúde pública.
Mas a crise afeta também e muito os governos, falidos por queda de receita de impostos e administração porca. Os recursos para a saúde estão sendo limitados ao mínimo obrigatório por lei, quando muito. A má gestão continua a mesma, no entanto.
Logo, a gente está diante de um quadro de desastre na saúde, de emergência. O desemprego deve continuar a aumentar até pelo menos o final de 2017. A falta aguda de dinheiro no governo federal, nos Estados e municípios deve durar ainda uns três anos.
A crise é angustiante. Para lidar com isso, temos a liderança de mais um ministro sinistro da Saúde, despreparado mesmo para dar entrevistas. Aquele que disse que mulher trabalha menos que homem.
Além de dizer vários disparates, o ministro foi capaz apenas de propor a criação de um plano de saúde de terceira, de serviços reduzidos, um remendo de interesse apenas das empresas prestadoras de serviços de saúde.
Empresas de saúde quebram. Algumas boas têm dificuldades de fechar as contas. As empresas, no geral, são vendedoras de seguros, não companhias dedicadas à saúde, a cuidados rotineiros e preventivos, que evitam doenças perigosas e caras. O custo sobe, as pessoas não ficam mais saudáveis.
Há uma discussão nacional desses assuntos sérios? Não, faz década e meia, pelo menos, os ministros da saúde são uns tipos ignorantes grosseiros ou enrolados em corrupção.
Além de besteira variada, o que o ministro da Saúde tem a dizer é propaganda de plano de saúde de terceira, que ele chama de popular.
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