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Continuamos muito no plano das intenções

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Continuamos muito no plano das intenções Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O ambiente é de maior confiança. O governo até elevou a previsão de crescimento da economia no ano que vem, de 1,2 para 1,6%. Tem analistas de mercado trabalhando com números ainda melhores. Mas a realidade mostra que ainda estamos em uma das maiores crises da história, com consequências sérias do ponto de vista social, como o desemprego, que continua em alta, até na indústria, que começa a dar os primeiros sinais de alguma reação. Para que as projeções mais otimistas se confirmem, o governo terá de avançar com tudo que vem propondo, especialmente o ajuste das contas públicas. E não é só isso. Tem também a aceleração das concessões e privatizações que, além de representarem mais investimentos, ainda podem assegurar uma geração importante de receita, ajudando no ajuste fiscal. Tem a inflação, que precisa ter uma queda efetiva, para dar condições de o Banco Central reduzir os juros, que são uma outra trava para a atividade econômica. E é preciso agir rápido. Por enquanto, ainda tem a questão da interinidade. Mas a partir de setembro, definido o quadro político, o governo terá de agilizar todas as iniciativas e mostrar mais força política. Terá pela frente grandes desafios. Pontos centrais do programa de ajuste das contas públicas já geram resistência. O governo vai apresentar a proposta orçamentária do ano que vem considerando o limite de ampliação de gastos, com base na inflação do anterior, ou seja, deste ano. Mas e os Estados, vão se enquadrar? O governo já fez várias concessões na renegociação das dívidas e Estados do Norte e do Nordeste, menos beneficiados, ainda esperam um importante aporte de recursos. Há resistência também na inclusão de saúde e educação nesse limite dos gastos. Só que, fora a resistência em relação às propostas, a agenda política não vai ajudar muito. Passado o impeachment, vêm as eleições municipais, que mobilizam as atenções do congressistas. Ainda mais agora, que estão mais preocupados em dar atenção às bases, pela baixa avaliação da classe política como um todo. Continuamos muito no plano das intenções. É ver se viram realidade. Só assim a expectativa de uma retomada mais firme da economia poderá se confirmar. Eu volto na segunda. Até lá.
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