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Trump ditador, não; quem manda é a sociedade

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Trump ditador, não; quem manda é a sociedade Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Existem duas maneiras de interpretar a vitória de Donald Trump. A maneira mais difícil, é saber o que está dentro da cabeça, dos mais de 59 milhões de americanos que votaram nele. São pessoas que acreditam no protecionismo comercial, e no fechamento das fronteiras aos imigrantes. Esses eleitores têm saudades do mundo anterior à globalização, quando a indústria mecânica e elétrica espalhavam a prosperidade pelo país. Mas não foram as fronteiras abertas que acabaram com os bons salários de uma parte dos americanos. Foi a tecnologia. Os Estados Unidos são o maior polo tecnológico mundial. E não têm hoje como concorrentes só o Japão e a Alemanha, como acontecia há 50 anos. A tecnologia foi globalizada. E a antiga classe média americana perdeu espaço para uma nova classe média, bem menor, com mais diplomas e de alta produtividade. Outra maneira de compreender a vitória de Trump é mais simples. Ele disse aquilo que os eleitores gostariam de ouvir. As promessas dele são de um deslavado populismo. Convenceu os eleitores que eles estavam gastando muito dinheiro para manter presença militar na Europa, no Oriente Médio, ou no litoral do Japão e da Coreia do Sul. Trump disse que, se esses países pagassem pela presença americana, sobraria mais dinheiro, e seria possível baixar impostos. Não é verdade. Presença militar é também presença comercial. É o que os britânicos nos ensinaram na época do grande império. E existe por fim uma verdade política importante. O presidente não é um super-homem. Ele não faz tudo o que pretende, mesmo com a cumplicidade do Congresso. Um veterano da política americana disse, certa vez, uma coisa sensata. Quando um presidente americano senta na cadeira do gabinete dele, no salão oval da Casa Branca, ele percebe que manda muito pouco. E eu acrescentaria, quem manda é a sociedade, em suas reações cotidianas. Democracia não existe só em dia de eleição. É por isso que Trump não será um ditador de topete loiro. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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