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Trump pode dificultar recuperação do Brasil

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Trump pode dificultar recuperação do Brasil Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O efeito Trump está pesando no mercado e nas projeções do mercado, já que as propostas dele podem afetar a nossa economia. Nunca houve um suspense tão grande em relação a um presidente dos Estados Unidos, quanto ao que ele pode tentar e o que pode conseguir fazer. Mas quase ninguém conta com a possibilidade dele entregar o que prometeu: mais crescimento, mais emprego e fortalecimento da economia. Ao contrário. O corte de impostos pode afetar o quadro fiscal. Já as barreiras comerciais, com taxação maior de importados, podem afetar a inflação. O resultado seria um gradualismo menor que o mercado vinha esperando na elevação dos juros pelo Federal Reserve, o Banco Central de lá. Juros mais altos podem ser uma forma de garantir maior estabilidade, mesmo com um custo em termos de crescimento. O que seria ruim para o mercado global, com os títulos americanos atraindo recursos de outros mercados. Em momentos de maior incerteza, são o porto seguro, mesmo que os Estados Unidos sejam o principal foco de incerteza. É a maior economia do mundo, a que emite dólares. O Brasil sofreria os efeitos através dessa maior instabilidade do mercado e da alta do dólar, que pode comprometer a esperada queda da inflação e também dos juros. O Banco Central deve ficar mais cauteloso enquanto não houver uma melhor definição de cenário. O mercado até já reduziu a previsão de corte da taxa básica, agora no final de novembro, para apenas 0,25. Antes dava como certa a redução de meio ponto. Portanto, Trump pode dificultar mais a já difícil retomada da atividade econômica. O mercado, há várias semanas, vem piorando as projeções para o PIB, contando com retração mais forte este ano e reação mais modesta em 2017. Os dados mais recentes de atividade estão provocando essa revisão. O próprio governo já conta com crescimento de apenas 1% no ano que vem. E Trump ainda pode prejudicar o Brasil, indiretamente, via comércio. A imposição de barreiras para produtos chineses pode influenciar a atividade na China, reduzindo as compras e os preços de produtos básicos, que dominam a pauta exportadora do Brasil. Donald Trump ou as idéias dele era tudo o que o Brasil não precisava. Dependendo do quanto seguir adiante com as propostas que apresentou pode fazer a paradeira da economia se arrastar por mais tempo. Quanto ao dólar, o mercado já não descarta uma cotação na faixa dos R$ 3,40, R$ 3,50 no final do ano. O certo é que, dificilmente, vai se estabilizar na faixa dos R$ 3,20, que era a aposta mais recente. Eu volto na quinta. Até lá.
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