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Com Trump, papel dos EUA no mundo é incerto

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Com Trump, papel dos EUA no mundo é incerto Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Uma pergunta delicada já é feita na surdina pelos principais governos do Planeta. Quem vai ser o grande árbitro das questões internacionais, quando Donald Trump virar presidente dos Estados Unidos? Trump prometeu que o país dele vai se retrair, vai se preocupar com o próprio umbigo. A revista britânica The Economist, com a data de amanhã, não responde quem substituirá os americanos. Mas afirma, desde já, que não será a Alemanha. A Alemanha é a segunda maior potência econômica do Ocidente. Mas ainda bem que ela não tem mais vocação militar. Lembrem-se da última Guerra Mundial. Seria impensável que ela lidere, no Oriente Médio, forças internacionais de infantaria contra o Estado Islâmico. Ou que pressione Israel na questão palestina. A chanceler Angela Merkel é uma estadista invejável. Ela governa a Alemanha desde 2005, e poderá ter um novo mandato, nas eleições do ano que vem. Vejamos a Rússia. A Alemanha tem vocação para enfrenta-la só no plano diplomático e comercial. O presidente Vladimir Putin já anexou a Crimeia, e está de olho na Ucrânia. Imaginem se ele quiser, agora, colocar debaixo da influência de Moscou, todos os vizinhos europeus que ele tem? A Alemanha não terá como reagir no plano militar. Quem peitaria a Rússia seriam só os Estados Unidos, com 95 mil militares estacionados na Europa, e um arsenal de 4.500 bombas atômicas. Mas se Donald Trump cruzar os braços, mesmo porque ele é um admirador de Putin, a comunidade internacional sentirá saudades de Barack Obama. Eu não estou dizendo que os americanos mandam na comunidade internacional. O que eu digo é que eles têm uma retaguarda militar para negociar, e é claro que puxam a brasa para a sardinha deles. A verdade é que o mundo inteiro está torcendo para que a burocracia no governo dos Estados Unidos assuma a direção da diplomacia e das Forças Armadas. Se isso não acontecer, com Donald Trump estaremos mergulhando num cenário desconhecido, perigoso e de incertezas. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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