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Controle da inflação ainda é prioridade

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Controle da inflação ainda é prioridade Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O mercado, que vem piorando as projeções há várias semanas, está com a mesma expectativa. Segundo o relatório Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, a previsão é de uma retração de 3,4% este ano, com expansão de apenas 1% no ano que vem. E há quem não descarte até uma variação negativa. Não há nada indicando uma reação mais firme. O ajuste fiscal, foco central da atuação do governo, a médio prazo, vai ajudar a melhorar a confiança na economia. Isso pode estimular investimentos, atrair recursos externos, facilitar o controle da inflação, dando mais espaço para o corte dos juros. Mas, por enquanto, o cenário não é dos mais animadores. Os vários ramos de atividade seguem com desempenho fraco. O nível de investimentos continua muito baixo. Boa parte das empresas, além da queda do movimento, convive com endividamento alto. As empreiteiras, envolvidas na Lava Jato, que respondiam por boa parte dos investimentos no País, ainda tentam acordos de leniência, pra continuar operando. A Petrobrás, principal alvo do esquema de corrupção, também está desativando projetos, vendendo ativos... Tudo isso pesa na atividade. O setor público não tem como investir. O consumo continua travado por todos os fatores que têm prejudicado as finanças dos brasileiros - o desemprego em alta, o endividamento elevado, juros nas alturas, as restrições do crédito. E as exportações também têm limitações. A indústria, o primeiro setor a entrar em crise, perdeu muita capacidade de concorrência e não vai expandir as vendas externas, com mais intensidade, de uma hora pra outra. Por tudo isso, a economia ainda está com uma performance ruim, que afeta o potencial de reação no ano que vem. O que se espera é que o Banco Central tenha condições de reduzir mais os juros, dando algum impulso a mais. Só que, pelo menos, no curto prazo, deve ir com cautela. A eleição de Trump trouxe novas incertezas. A política econômica que deve implementar pode fazer os juros subirem mais nos Estados Unidos, influenciando o dólar aqui. O BC tem segurado a pressão. O dólar voltou a cair. Mas até ter segurança quanto ao cenário, não deve ousar muito na política de juros. A economia precisa de estímulo, mas o controle da inflação ainda é prioridade. O mercado prevê a inflação abaixo de 5% em 2017, com a taxa básica, hoje em 14%, caindo para 10,75. É ver se o Banco Central vai seguir esse roteiro. Eu volto na sexta-feira. Até lá.
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