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Empresários e consumidores cautelosos

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Empresários e consumidores cautelosos Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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Os dados das contas públicas de outubro podem dar a idéia de uma folga maior no orçamento do governo, mas não é nada disso. Foi só uma receita atípica, que veio com a repatriação. Mesmo com esse reforço, nos dez primeiros meses do ano, as contas ainda estão com um saldo negativo de 55 bilhões e 820 milhões de reais, o pior resultado para o período em 20 anos. Ainda há dúvidas se o governo vai cumprir a meta deste ano, que é de um déficit de 172 bilhões de reais. E há dúvidas também em relação à do ano que vem, que é de um saldo, ainda negativo, de 139 bilhões. É um dos motivos do relançamento da repatriação, com toda a polêmica que vem criando pela tentativa de dar abertura para que parentes de políticos também tragam o dinheiro que enviaram para o exterior. O fato é que o governo quer esse reforço de caixa em 2017. Isso pode fazer muita diferença, independentemente de avanços no ajuste fiscal. O problema é que a economia continua muito fraca, o que derruba a arrecadação. Sem a repatriação, a Receita, em outubro, teria tido uma queda, em termos reais, de 7,2% sobre outubro do ano passado. E as perspectivas de recuperação no ano que vem só têm piorado, não só pelas condições da economia, mas também pelo cenário político. A crise provocada pelo caso Geddel, mesmo com a demissão dele, aumenta as incertezas no campo institucional, pelo suposto envolvimento do presidente Temer, que também pode ser atingido pelas delações da Odebrecht. Esse ambiente deixa os empresários e investidores bem mais cautelosos, o que pode levar ao adiamento de decisões que poderiam ajudar na retomada do crescimento. Até os consumidores ficam mais cautelosos. Tudo bem que houve um movimento maior hoje do comércio, com a black friday, mas os índices de confiança já voltaram a cair, pela primeira vez desde a mudança de governo. Reflexo da piora dos indicadores de atividade, do mercado de trabalho, a menor expectativa quanto a uma reação mais firme da economia. Até o ajuste fiscal pode ficar mais complicado. A PEC dos Gastos parece garantida, mas com tudo isso que estamos vendo na política, até a tentativa de anistia de Caixa 2, a resistência da sociedade a medidas, como a Reforma da Previdência, tende a aumentar. A inabilidade e a falta de noção da classe política pode dificultar bastante a reversão da crise econômica. Eu volto na segunda. Até lá.
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