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Os juros exorbitantes do cartão de crédito e do cheque especial

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Os juros exorbitantes do cartão de crédito e do cheque especial Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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Os juros do cartão de crédito e do cheque especial podem até ter caído um pouco, mas a taxa média cobrada dos consumidores e empresas aumentou, assim como aumentou o spread bancário, que é a diferença entre o que os bancos pagam, para captar os recursos, em investimentos, por exemplo, e o que cobram no crediário. Tem mais: o aumento em termos reais fica maior, na medida em que a inflação está bem mais baixa. Na verdade, esse movimento dos juros vai na contramão do que se esperava, diante dos cortes da taxa básica, pelo Banco Central, que devem até se intensificar nos próximos meses. A expectativa é que a taxa selic, hoje em 11,25% ao ano, caia até 9% no final de 2017. Mas o mercado financeiro não está seguindo essa tendência sob a alegação dos riscos da economia, da possibilidade de aumento da inadimplência, sendo que a inadimplência até caiu um pouco nessa última apuração. Várias pesquisas mostram que uma das principais preocupações dos brasileiros tem sido o pagamento de dívidas, o acerto das finanças, inclusive, com o uso dos recursos das contas inativas do Fundo de Garantia. É um excesso de cautela dos bancos, que só compromete mais o potencial de reação da economia. O crédito, em condições mais razoáveis, é fundamental para alguma reação do consumo, da atividade. Sob nenhum aspecto há justificativa para juros tão absurdamente altos. Se há receio de calote, não bastam as restrições que vêm sendo colocadas na liberação dos empréstimos e financiamentos? Porque a oferta de crédito também diminuiu muito. E olha que o governo vem tomando algumas medidas específicas para coibir os abusos. O rotativo do cartão,da forma como conhecemos, acaba agora na virada do mês. O consumidor vai poder usar essa linha apenas um mês. Se não conseguir cobrir a despesa vai ter que entrar em um parcelamento, com juros menores. O que, no entanto, não significa juros baixos. O mesmo levantamento do Banco Central mostrou aumento dos juros do parcelamento do cartão para 163,5% ao ano, em média. Em um mês a taxa média subiu 1,6 ponto percentual. Como se vê o crediário no Brasil, em linhas gerais, continua proibitivo. Pior é que só deve mostrar uma mudança maior quando o desemprego ceder. É uma proteção contra o risco de inadimplência E isso ainda pode levar um bom tempo. Eu volto na segunda. Até lá.
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