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Rússia deseja uma Europa fraca e dividida

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Rússia deseja uma Europa fraca e dividida Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Vladimir Putin desenvolveu uma grande habilidade para interferir nas eleições de outros países. A Rússia deu uma força para Donald Trump, nos Estados Unidos. Mas fracassou ao tentar repetir a jogada na França. Apoiou por debaixo do pano Marine Le Pen, da extrema-direita, derrotada no domingo por Emmanuel Macron. Nos dois casos, a arma da Rússia foi um exército clandestino de hackers. Foram eles que vazaram, no ano passado, milhares de e-mails da candidata Hillary Clinton, o que teve grande efeito eleitoral. Fez barulho na mídia conservadora, como no canal de televisão Fox News. E agora, há dois dias, Trump é bombardeado pela informação de que ele já sabia, em dezembro, sobre as relações entre a Rússia e seu primeiro assessor de segurança nacional, Michael Flynn. Trump não fez nada. E se desgasta com a reputação de ter preservado, nas primeiras semanas de governo, um amigo de Moscou. No caso da França, Vladimir Putin recebeu em março, em audiência privada, a candidata Le Pen. O New York Times diz que o partido dela, a Frente Nacional, recebeu um empréstimo de 11 milhões de dólares, de um banco que os russos têm em sociedade com a República Tcheca. E agora, sexta-feira passada, ante-véspera da votação na França, hackers russos vazaram milhares de e-mails de Emmanuel Macron. Mas a mídia francesa não deu a menor bola. Em setembro tem eleição na Alemanha. Onde os partidários de Angela Merkel já se protegem contra algum golpe sujo do Kremlin. Os russos também interferem na política italiana, onde apoiam sutilmente o Movimento Cinco Estrelas. Mas o que é que os russos finalmente desejam? Eles acreditam que podem voltar a ser importantes, como nos tempos da União Soviética. Mas para isso precisam de uma Europa fraca e dividida. Precisam de uma comunidade internacional que feche os olhos ao intervencionismo russo na Ucrânia, e que levante as sanções econômicas que a ONU votou, depois que eles, os russos, anexaram a península da Crimeia. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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