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Crise política também cria riscos na economia

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Crise política também cria riscos na economia Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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A equipe econômica tenta passar a ideia que é possível seguir adiante com os principais pontos da agenda econômica, independentemente, da turbulência política. E não só em relação às reformas. O Banco Central avisou que vai encaminhar um questionário para as instituições participantes do Sistema de Expectativas do Mercado para saber o que esperam da reunião da semana que vem do Copom. Antes da crise, o mercado já falava em corte de até um ponto e 25 na taxa básica, dado o bom comportamento da inflação. A previsão para a inflação ainda é muito favorável. O mercado, segundo o relatório Focus, está prevendo alta do IPCA, este ano, de apenas 3,39% e, no ano que vem, de 4,34%. O problema é que não é só a inflação que detemina as decisões do Copom. Também tem a questão fiscal, a confiança na possibilidade de o governo conseguir ou não reestruturar as finanças públicas. É aí que entram as reformas, principalmente, da Previdência, que tem uma tramitação mais complicada. Precisa de aprovação de três quintos da Câmara e do Senado. A trabalhista depende, apenas, de maioria simples, e deve até ser lida amanhã, na Comissão Especial do Senado. Seria ou será uma sinalização positiva de que o Congresso está preocupado com a agenda, mesmo com o risco de o presidente Temer não continuar no cargo. Foi meio o recado do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ele acha que as reformas têm de ser tratadas como agenda do Congresso, do País. De fato, sem as reformas, o mercado pode voltar a ficar mais pressionado, comprometendo até essa esperada queda da inflação, principalmente, através da alta do dólar. São dois riscos relacionados à crise política. A trava nas reformas, que pode inviabilizar o ajuste fiscal, pelo menos, por algum tempo. E, num segundo momento, a freada na queda da inflação e dos juros, pela falta de perspectiva de ajuste das finanças. Sem esquecer que todo esse cenário já deve afetar muito a atração de investimentos e as decisões de investimento das empresas locais. Na semana que vem, a taxa básica deve cair um ponto, ou 0,75 se o BC estiver mais preocupado. Mas a continuidade da queda, assim como a própria retomada da economia, vão depender muito do encaminhamento da agenda econômica, independentemente da situação de Temer. Eu volto na quinta. Até lá.
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