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Na Venezuela, risco de crise militar

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Na Venezuela, risco de crise militar Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Uma notícia muito triste sobre a Venezuela. Em San Felix, a 680 quilômetros de Caracas, já morreram este ano, no hospital da cidade, 24 crianças por subnutrição. A falta de comida e medicamentos, levou o regime criminoso da Venezuela a índices de saúde pública, comparáveis ao Haiti ou à Etiópia, que estão entre os países mais pobres do planeta. Mas como é que isso acontece, num lugar que tem as maiores reservas mundiais de petróleo? A resposta é simples. A ditadura bolivariana é corrupta e incompetente. Contra ela, a oposição volta às ruas amanhã, quarta-feira. Essas manifestações já deixaram 86 mortos desde a primeira semana de abril. Não são as pressões vindas do exterior que podem acabar com o governo ilegítimo. E nem as pressões da oposição interna. A solução deve partir de dentro do regime criado por Hugo Chávez. E isso já está acontecendo. A procuradora-geral da República, Luísa Ortega, passou para a oposição. E pediu, ontem, a destituição de 13 dos 32 juízes do Tribunal Pupremo de Justiça, que é o STF venezuelano. Como é que o governo reagiu? Um deputado governista, Pedro Carreño, pediu que Luísa Ortega seja submetida a exames psiquiátricos. É o velho truque que existia na União Soviética. Quem faz oposição à ditadura só pode ser doente mental. Mas há outra novidade muito mais importante. O jornal Tal Cual publica, hoje, entrevista com o major da reserva Miguel Rodriguez Torres. Ele foi ministro do interior e da justiça do regime bolivariano. E afirma que pela primeira vez as forças armadas estão divididas com relação ao ditador Nicolas Maduro. O motivo foi o passa-moleque de Maduro, que convocou para 30 de julho, eleições para uma constituinte, que descarta o voto universal e favorece o voto de entidades ligadas ao governo. Repito, a informação é importante. Os militares não estão mais dando ao regime um apoio incondicional. É como se Rodriguez Torres alertasse sobre um golpe militar para acabar com a ditadura. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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