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Na Polônia, governo perdeu limites

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Na Polônia, governo perdeu limites Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Confira o comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

"O Senado da Polônia votou ontem uma lei muito esquisita. Ela pune até com prisão, quem colocar nos poloneses a culpa pelas barbaridades cometidas naquele país pelos nazistas, na última Guerra Mundial.

A nova lei pressupõe que nenhum polonês colaborou com os alemães. Isso é uma aberração histórica. Colaboradores existiram na França, na Holanda, na Rússia e em todos os países ocupados por Hitler.

Milícias antissemitas ajudaram os alemães a matar 3 milhões de judeus poloneses. De todas as vítimas judaicas do Holocausto, a metade foi assassinada na Polônia. Mas Hitler também exterminou a elite intelectual e econômica polonesa, tão logo ocupou os seus territórios ocidentais, em 1939. E os poloneses católicos foram os civis que mais sofreram nas mãos dos nazistas. Foram mortos mais de 2,5 milhões desses poloneses. Mas isso é passado.

É uma história que acabou em 1945, lá se vão 73 anos. Por que é então que, depois de tanto tempo, o governo direitista de Varsóvia não admite que poloneses tenham trabalhado para os alemães? E não foi nem um, nem cem. Foram milhares, segundo o Centro Simon Wiesenthal, que investiga a partir da Áustria os crimes cometidos contra os judeus.

Em Israel, o governo fez um previsível escândalo contra a nova lei polonesa. E não foi apenas o governo conservador de Bibi Netanyahu. Partidos de todas as tendências apoiaram o protesto israelense. Esse episódio acontece dentro de uma moldura em que o governo ultranacionalista da Polônia perdeu os limites do que se pode fazer.

No ano passado, a Polônia quase foi punida pela União Europeia, porque, ao lado da Hungria, se recusou a receber refugiados. E levou outro puxão de orelha, quando tentou colocar o Judiciário sob o controle do Executivo. O governo queria que a nomeação de juízes passasse pelo Ministério da Justiça. O resumo da história é o seguinte. A direita nacionalista polonesa é politicamente suicida, e está longe de ser civilizada.

É assim que o mundo gira. Boa noite."
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