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Já é hora de essa mobilização parar

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Já é hora de essa mobilização parar Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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"Os caminhoneiros tinham razão em várias reivindicações. A Petrobrás tem de trabalhar com preços justos, mas o governo deveria ter pensado em uma forma de amenizar os reajustes. Não com a Petrobrás absorvendo os prejuízos, mas, até, através de alguma redução de impostos.

Só que não houve qualquer ação preventiva. O movimento se alastrou, com muita rapidez, dando enorme demonstração de força. E o governo cedeu mais que poderia. Pior: o movimento continua e outras categorias ameaçam parar. O certo é que as perdas serão socializadas. Todos nós vamos pagar a conta.

O governo busca de onde tirar 3,8 bilhões de reais, de uma perda de receita que pode chegar a 9 bilhões e meio. O restante estava, entre aspas, sobrando no orçamento. Porque, pra garantir a meta, já havia uma contenção de despesas. Também tem ou tinha receitas extraordinárias, como o PIS Cofins dos combustíveis, que representou mais de 2,5 bilhões de arrecadação em abril. Portanto, mexer neste imposto faz diferença mesmo.

Claro que sempre fica o questionamento: porque o governo não corta gastos, ministérios, benefícios, servidores. Tudo isso tem de ser revisto. Só que não vai acontecer agora. O que vai acontecer é mais corte de investimentos, de despesas de várias áreas, pra subsidiar o diesel e o que mais vier. O que, também, é péssimo para a imagem do País, para a credibilidade, que depende de uma gestão mais eficiente das finanças públicas.

Foi um dos motivos da reação negativa de hoje do mercado, que também refletiu o receio de que Pedro Parente acabe saindo da Petrobrás, diante de toda essa pressão. Mas as perdas desses dias de paralisia também passam pela queda geral de atividade, do comércio, com as ruas vazias, da indústria, que não recebe peças e insumos e não tem como transportar as mercadorias, da agropecuária que está tendo de descartar produção; e até emprego e renda. Muita gente trabalha por dia ou produção, sem esquecer dos autônomos.

Já é hora de essa mobilização parar. Apostar no pior, ainda que haja motivos concretos para uma grande insatisfação com o quadro geral da política e da economia, é preciso considerar as implicações que essa situação pode ter para o País. Boa noite."
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