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A instabilidade do mercado após reações internacionais

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

A instabilidade do mercado após reações internacionais Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O mercado tem mostrado muita instabilidade, principalmente, por fatores externos. Trump disse que o FED, o Banco Central dos Estados Unidos, é o grande problema da economia americana. Mas ele tem sido o maior problema para o mercado global.

Começou com a guerra comercial contra a China, que pode ter reflexos negativos sobre o comércio e o desempenho econômico dos dois países e da economia global. É um dos motivos da previsão de crescimento menor no próximo ano. Teve agora essa crítica ao Federal Reserve, pela política de elevação dos juros.

O FED vem calibrando os juros, mantidos num patamar muito baixo desde a crise de 2008/2009, pra evitar pressões inflacionárias, diante do crescimento ainda robusto do país. Mas já sinaliza cautela, pelas indicações do próprio mercado, através da correção das bolsas, dos juros futuros e até das commodities, de uma desaceleração mais forte da atividade em um ou dois anos. Consequência, em boa parte, da política protecionista de Trump e dos estímulos tributários que podem levar ao desequilíbrio das contas.

Na semana passada, o FED promoveu mais uma elevação dos juros, provocando as críticas de Trump, num tom que gerou o receio de que ele possa tentar afastar o presidente da instituição, Jerome Powell, o que não é permitido. Mas, em se tratando de Trump, tudo parece possível. Até a queda de braço com o Congresso, pra forçar a liberação de recursos para a construção do muro com o México.

Normalmente, quando há algum impasse em torno do orçamento, os presidentes se esforçam pra resolver rápido e evitar a suspensão de atividades do governo. Trump, ao contrário, usa a suspensão de despesas, como o pagamento do funcionalismo, como instrumento de negociação, pra pressionar a aprovação de mais despesas. São impasses que podem ter reflexos econômicos e políticos. Daí a reação negativa dos mercados.

Ainda tem o Brexit, a desaceleração de economias desenvolvidas, problemas de países emergentes, como Argentina. Tudo isso reforça a perspectiva de crescimento global mais fraco, com maiores restrições comerciais e menos liquidez. O Brasil que já tem grandes desafios pela frente, pode ter de lidar com uma conjuntura mais complicada no exterior.

É cedo pra qualquer previsão mais segura. Todos essas questões podem ter desfecho mais positivo. Mas o cenário internacional tende a ser menos favorável em 2019 do que foi até meados deste ano.
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