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Desaceleração é geral, e ainda pode se agravar

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A desaceleração da economia pegou com mais intensidade o mercado de trabalho, tanto pelo corte de vagas como pelo aumento da procura por uma colocação. Muita gente está buscando um reforço pra renda familiar, diante do aperto provocado pela alta da inflação, de impostos, de juros e até pelo desemprego. Sem querer ser pessimista, nas condições atuais da economia, há uma boa probabilidade de o desemprego crescer ainda mais. Há uma desaceleração geral da atividade, mais forte na indústria e na construção, mas que também já prejudica o comércio e os serviços; e sem perspectiva de reação a médio prazo. Até por fatores políticos que também mexem com a confiança. Se tudo caminhar dentro do previsto, principalmente, os ajuste das contas do governo, a economia pode começar a respirar melhor mais para o final do ano. Até lá o aperto vai continuar. Alguns fatores que têm contribuído pra desaceleração podem até ganhar força, como os juros. Hoje saiu a ata da reunião da semana passada do Copom, do Comitê de Política Monetária do Banco Central, e o recado foi claro: os juros devem subir mais, porque o que foi feito até agora ainda não foi suficiente pra garantir que a inflação, hoje acima dos 8% ao ano, caminhe para o centro da meta, de 4,5%, no final do ano que vem. É esse o objetivo do Banco Central. Encarece o crédito pra derrubar a demanda e, junto, a inflação. O desemprego em alta, na visão do Banco Central, pode ajudar, na medida em que freia mais o consumo e, com consumo em queda, o comércio,a indústria, os prestadores de serviços seguram os aumentos. Agora, é um ciclo negativo. A demanda cai, as empresas, além de segurarem os reajustes, demitem, pra se adequarem à nova realidade e o desemprego maior derruba mais a atividade econômica. É ver quando e como esse ciclo vai ser revertido. Os juros só vão voltar a cair quando a inflação ceder, de fato. O dinheiro do governo vai continuar curto, inclusive porque a meta é de um saldo maior das contas em 2016. Resta o estímulo às exportações e aos investimentos, com capital privado, na infra-estrutura, por exemplo, com novo modelo de concessões. Mas, nada disso vai acontecer de uma hora pra outra. A previsão é que a economia cresça 1% no ano que vem. 1% sobre uma base ruim, já que agora em 2015, devemos ter uma retração entre 1 e 2%. Eu volto na segunda. Até lá.
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