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João Batista Natali / Acordo tenta melhorar a crise na Ucrânia

Vamos falar mais uma vez da Ucrânia. A novidade de hoje foi um acordo a que chegaram, em Genebra.

João Batista Natali / Acordo tenta melhorar a crise na Ucrânia Vamos falar mais uma vez da Ucrânia. A novidade de hoje foi um acordo a que chegaram, em Genebra.
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Vamos falar mais uma vez da Ucrânia. A novidade de hoje foi um acordo a que chegaram, em Genebra, os chefes das diplomacias da Rússia, da Ucrânia, dos Estados Unidos e da União Europeia. É um bom acordo. O governo russo, que já anexou há algumas semanas a península da Crimeia, reconhece que não quer morder um novo pedaço do território de seu ex-parceiro de União Soviética. A situação pode voltar ao normal nas três cidades do Leste ucraniano. Nelas, a população de cultura russa causava enorme confusão. Era um tal de invadir prédios públicos, com a ajuda de milícias armadas por Moscou. Essa gente queria um referendo separatista. Pelo acordo de hoje, essas milícias serão desarmadas e desocuparão os prédios do governo. Em troca, a Ucrânia dará anistia aos militantes pró-Rússia, que até hoje de manhã ela chamava de terroristas. As últimas 24 horas foram de muita fumaça e pouco fogo. O presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem à noite que seu país tinha direitos históricos sobre todo o leste ucraniano. Por que é, então, que a Rússia recuou? A resposta é simples: caso ela prosseguisse na escalada diplomática e verbal, Europa e dos Estados Unidos responderiam com novas sanções. As sanções até agora foram tímidas, como a redução da atividade bancária russa no Ocidente e a não-emissão de vistos para pessoas comprometidas com a anexação da Crimeia. Acontece que as sanções provocaram, na Rússia, a fuga de capitais estrangeiros, a queda na Bolsa de Valores e o apodrecimento do clima de negócios. Mas o litígio está longe de chegar ao fim. A Rússia fará de tudo para atrapalhar a eleição presidencial da Ucrânia, no dia 25 de março. Moscou não quer que um governo legítimo se aproxime da União Europeia, e se afaste de sua esfera de influência. Isso azedaria os sonhos imperiais de Vladimir Putin. Ele quer a volta da grandeza dos tsares e do stalinismo. Putin disse há alguns anos uma bela e sintomática frase. Aqui está ela. "Quem quer a volta do comunismo não tem cabeça. Mas quem não tem saudades do comunismo não tem coração." É assim que o mundo gira. Boa noite.
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