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João Batista Natali / Medos e derrotas são só passado de uma Alemanha poderosa

Vamos falar hoje, infelizmente, da Alemanha.

João Batista Natali / Medos e derrotas são só passado de uma Alemanha poderosa Vamos falar hoje, infelizmente, da Alemanha.
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Vamos falar hoje, infelizmente, da Alemanha. E por motivos mais que óbvios. É um país tão rico e tão estável que a rotina por lá é um pouco chata. As últimas novidades: a chanceler Ângela Merkel, que governa há quase nove anos, esteve esta semana em Pequim. Como quinta maior economia do planeta, tratou de ações bilaterais com a China, que tem a segunda maior economia. Para quebrar a rotina, no fim da semana, teve um novo escândalo de espionagem. Um agente duplo do serviço de inteligência alemão trabalhava também para os Estados Unidos. Merkel reagiu indignada. Mas desconfia que o presidente Obama perdeu o controle sobre sua Agência Nacional de Segurança. No começo do ano, um primeiro escândalo: a NSA grampeava o celular dela. No mesmo pacote havia o grampo a Dilma Rousseff. Pedidos de desculpas, mas ficou por isso mesmo. Vejamos um pouco de história. Um dos maiores pensadores do século 20, o inglês de origem alemã Norbert Elias, disse que no século 19 os alemães tinham medo de desaparecer do mapa europeu. Do leste, a ameaça vinha da Rússia. Do Oeste, vinha da França. A Alemanha era naquela época uma colcha de retalhos de estados e cidades autônomas. Foi unificada em 1871. Depois disso foi derrotada em duas guerras mundiais. A segunda derrota foi a mais sangrenta e a mais épica. Tratava-se de acabar com o nazismo. Mas a destruição foi tão grande que, segundo o escritor W.G.
Sebald, só na cidade de Dresden sobraram 42 metros cúbicos de entulho por habitante. A Alemanha foi dividida, se reconstruiu, e se reunificou, com a queda do Muro de Berlim. Ela tem hoje um PIB per cápita três vezes superior ao do Brasil. E deu no que deu. É a maior potência da União Europeia. E é também quem impõe políticas neoliberais de austeridade para a Grécia, Portugal e Espanha, países mais endividados do bloco e da zona do euro. É a lei do mundo globalizado. Quem tem dinheiro, manda. Quem não tem, afunda na recessão. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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