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Bob Fernandes / Brasil: Segue a matança dos sem nome e sem rosto

Em Copacabana, dois mortos e incêndios. Em Osasco, um homicídio e 30 ônibus incendiados. Na Bahia, greve da PM. Com 106 assassinatos em cinco dias.

Bob Fernandes / Brasil: Segue a matança dos sem nome e sem rosto Em Copacabana, dois mortos e incêndios. Em Osasco, um homicídio e 30 ônibus incendiados. Na Bahia, greve da PM. Com 106 assassinatos em cinco dias.
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Em Copacabana, dois mortos e incêndios. Em Osasco, um homicídio e 30 ônibus incendiados. Na Bahia, greve da PM. Com 106 assassinatos em cinco dias.

Na greve de 2012, liderada pelo soldado Prisco, 177 homicídios. Prisco é vereador do PSDB, e candidato a deputado. Está preso na Papuda por ordem do MP federal.

Dos 106 mortos da greve deste 2014, a maioria tinha menos de 25 anos. Em Salvador, a matança se deu nas mesmas áreas dos homicídios da greve passada.

Por meses recolhi perícias daquela matança... 72 dos mortos foram executados. Com tiros na nuca, na cabeça.

Os assassinos usaram toucas ninja, pistolas ponto 40 - de uso exclusivo da polícia- e limparam a cena dos crimes. A suspeita quanto aos autores é óbvia.

Nos laudos, por falta de investigação, "autoria desconhecida". Em dois anos, só no rastro das greves da PM de Prisco na Bahia, 283 assassinatos.

Os mortos são mera estatística. Pobres ou miseráveis e, por isso, mortos sem nome e sem rosto.

Greve de PM é ilegal. No Rio Grande do Norte, PMs e bombeiros entraram em greve na última terça-feira, dia 22.

No reveillon de 2012 o governador do Ceará, Cid Gomes, rendeu-se à greve da PM, e confessou a um amigo: "Tive que engolir, goela abaixo".

No mesmo ano, Jaques Wagner foi emparedado pela PM baiana. O mesmo em Brasília, ao norte do Brasil, e no Rio de Cabral, com PMs, bombeiros... e as milícias de sempre.

O mesmo em São Paulo, com 106 PMs mortos em 2012 e, bem além da "lei do talião", 10 mortos a cada PM assassinado.

Em Osasco, na Baixada Santista, Guarulhos, estado adentro, denúncias de grupos de extermínio com policiais. Idem em Alagoas, Goiás... Brasil afora.

Em 88, a Constituinte recomendou uma Política Nacional de Segurança Pública. Nada saiu do papel.

Não saiu porque governadores são reféns das suas guardas pretorianas. Porque a sociedade que pode não tá nem aí; tem suas casamatas, blindagens e segurança privada.

Nada saiu do papel porque a sociedade que não pode, só... não pode. São 50 mil assassinatos a cada ano.

O que têm a propor candidatos a governos e legislativos? Com quem estão debatendo e articulando soluções para essa tragédia? O que é mais importante do que a vida?

Com a palavra, candidata e candidatos à presidência, governos, legislativo. E, por favor, nos poupem de promessas vazias da marquetagem.
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