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2017 pode não ser tão melhor como se pensou

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

2017 pode não ser tão melhor como se pensou Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O dado mais positivo das novas projeções do mercado é a inflação. O mercado reduziu a deste ano e já prevê o IPCA abaixo de 5% no ano que vem. Isso reforça a expectativa quanto ao corte dos juros. Seria uma forma até de o Banco Central dar algum estímulo à atividade econômica. Sendo que a projeção de inflação mais baixa tem relação com a atividade ainda fraca. Os movimentos agora estão mais coerentes. Se a economia, se a demanda, estão fracas, o normal é que a inflação fique mais baixa. Vivemos por um bom tempo uma situação atípica, de recessão com inflação elevada, porque houve o tarifaço e outras correções de rota da economia, que aumentaram o custo das empresas, impossibilitando a contenção de preços. E os juros agora parecem ser um dos poucos instrumentos de estímulo à atividade. Em tempos de ajuste fiscal não dá para o governo recorrer a incentivos, isenções, investir mais com recursos públicos. O aumento das exportações é uma janela, mas vai depender do dólar e de reformas que reduzam o Custo Brasil. Por isso já há uma pressão por um corte maior dos juros. O mercado já conta com a taxa básica em 13,5% no final deste ano, caindo para 10,75% no ano que vem. Claro que tem a independência do Banco Central e o compromisso com o controle da inflação. Mais que isso, o BC também tem condicionado uma redução maior da Selic ao ajuste das contas públicas. Mas, o próprio ajuste, por mais que seja necessário, no curto prazo, pode reforçar a fraqueza da economia. Até os Estados estão entrando com mais firmeza na reestruturação das finanças. Não têm outro caminho. O Rio de Janeiro só puxou a fila, com cortes de pessoal, de salários, aumento das contribuições, de tributos, de tarifas, até atraso de pagamento a fornecedores. Tudo isso terá um efeito contracionista sobre a atividade. Mas o corte maior dos juros só virá se ceder mesmo, porque também tem a questão da credibilidade. O Banco Central não vai cortar os juros só pra fazer a economia reagir. Mas o fato é que há um otimismo menor quanto à reação da economia daqui para o próximo ano. Com a ociosidade na indústria, o comércio fraco, com perspectivas modestas até para o Natal, como vimos, e desemprego em alta, mais o ajuste fiscal, fica díficil engatar uma retomada mais forte mesmo. 2017 deve ser melhor. Mas pode não ser tão melhor como indicou a recuperação dos índices de confiança. Eu volto na quinta. Até lá.
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