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Se Dilma deixar, Barbosa terá de agir rápido

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Em país que a confusão na economia é grande, ministros da Fazenda duram pouco no cargo. Fomos assim. Tínhamos deixado de ser, faz uns 20 anos. Voltamos ao tumulto.
O novo ministro que vai comandar a economia é Nelson Barbosa. O que muda?
Joaquim Levy, o ministro que acaba de sair, era um corpo estranho no governo. Era um economista chamado de liberal, ortodoxo, alguém que era radicalmente contra o que foi feito no primeiro governo de Dilma Rousseff. Seria alguém que poderia ser ministro de Aécio Neves, derrotado e tão criticado por Dilma na campanha. Levy foi chamado por causa do desastre econômico, mas era quase alguém da oposição.
Nelson Barbosa, por sua vez, foi secretário do ministério da Fazenda, quase vice-ministro, no primeiro governo Dilma. Tem ideias parecidas com a da presidente, no geral, mas saiu do governo dela porque achou que ela estava exagerando no gasto e nas intervenções. Até ele achou que aquilo daria em besteira, como deu.
Dilma Rousseff nunca se convenceu muito das ideias de Levy. Aos poucos e dada a crise econômica, foi desgastando o ministro, tirando seu poder, e dando razão a Nelson Barbosa. No final deste ano, Levy estava frito e derrotado.
O que pode mudar? Barbosa acha que o acerto das contas do governo tem de ser mais pianinho, paulatino. Acha que é preciso tomar logo alguma medida para retomar um pouco de crescimento, o muita gente acha ser impossível antes de arrumar o buraco nas contas públicas. Barbosa é também a favor de algumas reformas, algumas limitações de gasto social. Mas deve ir devagar, se conseguir.
Por que "se conseguir"? Por que ele vai ser recebido com muita desconfiança pelos donos do dinheiro, pelo mercado, por um monte de empresários. Essas pessoas vão achar que Barbosa vai fazer quase apenas o que Dilma quiser na economia. Como não gostaram do que Dilma já fez, no primeiro governo, a reação inicial vai ser péssima.
Como o descrédito e a desconfiança na economia já são enormes, o medo só vai aumentar, a incerteza de início será ainda maior. O que pode aumentar a crise. Pra não ser assim, Barbosa vai ter de se virar e mudar os ânimos muito rapidamente. Se a presidente deixar.
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