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Dá para conter o dólar, mas tem de arrumar a casa

Comentarista de Economia do Jornal da Gazeta, Vinicius Torres Freire fala sobre a alta do dólar.

Dá para conter o dólar, mas tem de arrumar a casa Comentarista de Economia do Jornal da Gazeta, Vinicius Torres Freire fala sobre a alta do dólar.
Muita gente não deve lembrar mais da explosão do dólar quando Lula estava para vencer sua primeira eleição, em 2002. O dólar chegou então a valer quase quatro reais. Havia medo de que o governo Lula desse um calote na dívida do governo, entre outras medidas extremadas. Na dúvida, muita gente endinheirada dava o fora, comprando dólar. Não aconteceu nada do que se temia, o preço do dólar caiu e o país entrou nos trilhos.

Agora, o dólar está subindo um tanto, mas nem de longe, muito longe. Apesar de grande desconfiança dos donos do dinheiro em relação à política econômica de Dilma Rousseff, não há de modo algum pânico ou menos ainda risco de desastre. Entre outros motivos, a situação é mais tranquila porque, apesar de todos os pesares, a economia brasileira é muito mais forte e organizada do que era faz 12 anos.

Ainda assim, o dólar tem subido faz uns dez dias. Foi hoje a 2,36. O motivo principal, por enquanto, é externo, nada a ver com eleição. Como já dissemos tantas vezes aqui no jornal da Gazeta, por causa da possibilidade de mudança da política econômica nos Estados Unidos.
Os donos do dinheiro voltaram a antecipar a possibilidade de alta dos juros americanos. Juros mais altos lá fora em tese implica que haverá menos capital sobrando no mundo, que mais dinheiro voltará para os Estados Unidos. Isto é, que os dólares vão escassear por aqui e outros lugares. Assim, o preço do dólar sobe.
Não se trata de sangria desatada, embora as reações do mercado financeiro por vezes sejam loucamente exageradas, como vimos no ano passado, quando o dólar foi a R$ 2,45.

Mas essa mudança cria alguma tensão, ainda mais para países como o Brasil, que estão com alguns desarranjos econômicos, como inflação alta e comprando demais no exterior. Se não houver um conserto dessa situação, o dólar vai subir tanto pela mudança nos Estados Unidos como pela desconfiança da situação econòmica brasileira. Uma subida mais alta do dólar pode acabar em mais inflação e juros mais altos aqui no Brasil. Dá para controlar a situação, claro, não há previsão de desastre. Mas é preciso arrumar a casa para evitar problemas maiores num ano que já não será fácil, como o de 2015
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