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Egito fere os direitos humanos

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O Egito é um país surpreendente. E é surpreendente no mau sentido. Vejamos a primeira razão. Há dez dias condenou à morte Mohamed Morsi, ex-presidente deposto em 2013. Ele era o líder do grupo moderado Irmandade Islâmica. Não será executado. Mas o regime militar egípcio condena os opositores aos montes. Condena de baciada. É um jeito sórdido de manter a oposição calada. Mas a novidade de hoje é outra. E essa é a segunda razão pela qual o Egito nos surpreende. Saiu um relatório da Federação Internacional pelos direitos Humanos. Esse relatório acusa o Egito de usar a violência sexual, para silenciar os adversários do regime. O estupro tem como vítimas mulheres e adolescentes. Mas também homens e crianças. Os estupradores fazem parte da polícia. Nenhum deles foi condenado. A entidade de direitos humanos diz que esse hábito criminoso cresceu depois do golpe de Estado, de há dois anos, que derrubou Morsi, e que acabou levando ao poder o general Sissi, que é agora ditador. Não há uma quantificação dos estupros. Mas a verdade é que as vítimas preferidas são estudantes do sexo feminino, presas durante manifestações contra o governo. No ano passado, uma outra entidade, a Fundação Thomson Reuters, colocou o Egito no topo da lista de 22 países árabes em que as mulheres são mais violentadas ou oprimidas. Há de tudo. Da violência sexual à mutilação genital, do casamento forçado aos crimes impunes, de maridos que acreditam terem sido traídos. Isso não surpreende. Em abril de 2014 uma terceira pesquisa, desta vez das Nações Unidas, disse que 99 por cento das mulheres egípcias adultas, já haviam sofrido alguma forma de agressão sexual. Em resumo, esse quadro é muito, mas muito feio. Praticar a violência contra a mulher como forma de dominação política é um crime contra a decência. É um crime contra a ideia de igualdade de direitos. É um crime contra os direitos humanos. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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