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Gays da Tchechênia são triplamente perseguidos

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Gays da Tchechênia são triplamente perseguidos Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Existe uma região do mundo em que homossexuais são presos e jogados num campo de concentração. São maltratados e torturados. Alguns já foram mortos. Não sabemos ao certo quantos. Esse lugar é a Tchechênia, uma república que faz parte da Rússia. Em 1993, e nos 10 anos seguintes, a Tchechênia entrou por uma porta de sangue do noticiário internacional. Com o fim da União Soviética, a região combateu pela independência. Mas foi derrotada pelos Russos. Para uma população de 1 milhão e 200 mil habitantes, morreram 150 mil. Quem subiu na vida com a carnificina foi o então Primeiro-Ministro da Rússia, na época um principiante na política. O nome dele era Vladimir Putin. Pois bem, a comunidade gay da Tchechênia é triplamente perseguida. Em primeiro lugar, pela Rússia, que também persegue os homossexuais. Em segundo lugar, pelo próprio Governo Tchecheno. E em terceiro lugar, pela rede de mesquitas e pela comunidade muçulmana, que é majoritária no cáucaso. O Presidente da Tchechênia deu uma resposta absurda ao abordar a questão. Ramzan Kadyrov disse simplesmente: aqui não existem homossexuais. A Chanceler Alemã, Angela Merkel, já protestou contra a perseguição. E a novidade, nesta terça-feira, foi a iniciativa de três entidades francesas, de defesa dos direitos LGBT. Elas entraram com uma representação no tribunal penal internacional, com sede em Haia, na Holanda. A Tchechênia é acusada de genocídio. A palavra é forte, mas é a mais apropriada. Os Tchechenos gays são presos, não porque cometeram algum crime específico. São presos pela orientação sexual que eles têm. É como um judeu na Alemanha nazista. É como os Armênios massacrados pela Turquia. É possível que o processo no tribunal de Haia não dê em nada. Os promotores precisam de um indivíduo ou de um grupo responsável pelo crime. Mas os criminosos são muitos, e não estão identificados. Seria um triste encontro da homofobia assassina com a impunidade. É assim que o mundo gira.
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