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Governo Temer terá de mostrar mais força política

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Governo Temer terá de mostrar mais força política Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O governo afinou o discurso em relação à renegociação da dívida dos Estados pra evitar qualquer abalo na confiança da sociedade, dos agentes econômicos, quanto à execução dos ajuste fiscal. O presidente interino, Michel Temer, disse que o veto ao reajuste do funcionalismo, por dois anos, poderia "embaraçar" a renegociação. Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em evento em São Paulo afirmou que o veto não era totalmente necessário. Tentam mostrar que os Estados terão de adequar as despesas com funcionalismo, que são o maior fator de desequilíbrio das finanças, ao limite de ampliação de gastos que será imposto, a todo o setor público, pela PEC que deve restringir o aumento das despesas à inflação do ano anterior. É ver na prática o que vai acontecer. É inegável que houve uma resistência política mais forte que se previa. O governo teve de fazer concessões, de mudar o projeto original, pra garantir a aprovação, que não está concluída. Essa pode ser uma indicação de dificuldades que também poderá ter com outras propostas. A PEC que limita os gastos, por enquanto, é uma grande aposta. Dependendo do encaminhamento, também poderá sofrer alterações importantes. Um ponto já muito questionado é a mudança do percentual obrigatório de recursos para a saúde e educação, que são áreas prioritárias. O governo terá de convencer a sociedade e os parlamentares que a inclusão das duas áreas no limite de gastos não significa uma redução obrigatória da destinação de recursos ou o comprometimento de uma maior eficiência que possam ter. Um desafio grande. Depois vem a reforma da Previdência, que é fundamental pra assegurar uma trajetória melhor para as finanças públicas a longo prazo. Outra proposta pra lá de polêmica. E ainda são aguardadas as concessões, privatizações, revisão de desonerações e até a esperada retomada da economia que vai ajudar a melhorar a arrecadação, a receita. O que ficou da discussão toda desta semana é que o governo Temer vai ter que mostrar muito mais força política pra poder avançar mesmo com o ajuste fiscal. Eu volto na segunda feira. Até lá.
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