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Governo terá de assumir posição bem mais firme

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Governo terá de assumir posição bem mais firme Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O mercado tem melhorado as projeções semana após semana. Essa mudança está diretamente relacionada à troca de governo e à confiança na capacidade de a atual equipe econômica fazer as correções de rota, para a economia retomar o crescimento de forma sustentada, principalmente, com uma reestruturação mais profunda das finanças públicas. O mercado chegou a trabalhar com a possibilidade de uma retração de mais de 4% do PIB, com inflação acima dos 10% diante de um descontrole ainda maior das finanças. E o dólar refletiu muito o quadro de indefinição, chegando a ser negociado na faixa dos 4 reais. As expectativas começaram a mudar com o afastamento da presidente Dilma, com a nova equipe fazendo diagnóstico correto do que deve ser feito, para a economia entrar nos eixos, e o governo assumindo o compromisso com a estratégia a ser adotada. Só que as projeções e mesmo o comportamento mais favorável do mercado estão se baseando muito em expectativas, no que deve acontecer. Mas já se nota uma cautela maior e até uma certa impaciência decorrentes, em boa parte, de concessões que têm sido feitas, como o reajuste do funcionalismo, que geraram mais despesas. Não houve resistência A interinidade tem sido uma boa justificativa. Só que, definido o impeachment, o governo vai ter que assumir uma posição bem mais firme. Isso se quiser preservar o voto de confiança que vem recebendo. Vai ser fundamental garantir a aprovação da PEC que deve limitar o aumento de gastos, mas não suficiente. Ainda vai ter que avançar com o programa de concessões e privatizações, que pode gerar mais receita e investimentos, e com a reforma da Previdência. Reforma que seja capaz, icnlusive, de mexer com privilégios de determinadas categorias, São essas ações que vão reafirmar o compromisso, até político, com um ajuste fiscal mais sério. Por enquanto, estamos vendo declarações contraditórias, uma certa cautela política, a tentativa de evitar confrontos. Só que isso pode passar a idéia de uma fraqueza política que vá além da interinidade. Um bom teste vai ser a aprovação da renegociação da dívida dos Estados, com os limites de aumento de despesas propostos pelo governo.Tudo bem que ainda é um governo interino. Mas decisões e acertos feitos agora podem comprometer muito os resultados esperados mais à frente. Eu volto na quinta. Até lá.
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