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Incerteza eleitoral projeta-se no câmbio

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.

Incerteza eleitoral projeta-se no câmbio Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.
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Vamos pensar hoje no caso de quem tem a boa sorte e a coragem de gastar em uma viagem de férias para o exterior. Pensar em quem vai viajar para fora.

Claro que é preciso pensar no dólar. Mas nem toda viagem para fora tem seu custo em dólar. A moeda americana ficou quase 14% de três meses para cá. O euro subiu metade disso, 7%. O peso argentino ficou mais barato.

Além do mais, a gente esquece que os países têm níveis de custo de vida diferentes. A vida em geral é, na média, mais barata na Argentina do que no Brasil, por exemplo.
Mas vamos falar do problema mais urgente.

Para quem ainda não trocou seus reais, tudo o que se pode dizer é que o dólar pode ficar numa gangorra até pelo menos a eleição, mas devem ser raros os dias em que baixe dos R$ 3,70. Ontem, fechou a R$ 3,73, no câmbio comercial. No turismo, ficou perto de R$ 3,90.

É possível que o dólar suba tanto quanto nos últimos três meses, até o final das férias? Sim. Quer dizer, até outros 14%? Até lá, vão continuas as incertezas na economia mundial e as incertezas na eleição brasileira. E, no momento, existe uma especulação com a moeda brasileira, um jogo entre o mercado e o Banco Central.

Não sabemos quando e em quanto vai terminar esse jogo. Logo, dólar perto de R$ 3,70 pode estar a bom preço para quem vai viajar. Confiar só no cartão de crédito pode deixar sua viagem 10% mais cara, rapidinho. Talvez em uma semana.

O euro pode subir? Sim. Mas todas as moedas estão perdendo valor contra o dólar, o que não deve mudar tão cedo, neste ano pelo menos. Logo, o euro pode dar pulos menores do que o dólar, mas vai pular também.

Quando vai ter fim essa incerteza enorme no câmbio? Até haver mais clareza sobre o resultado da eleição. Isto é, meados de setembro. Isso não quer dizer que o dólar ou o euro vão ficar mais baratos. Mas vai ficar mais clara a direção. Quanto mais aumentar a chance de vitória de um candidato que não planeje acertar as contas do governo, mais o real vai perder valor. Dólar a R$ 5 é possível? Sim. Ou mais.
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