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João Batista Natali / Putin representa sonho de grandeza dos russos

Vamos falar de Vladimir Putin. O presidente da Rússia parece estar comendo a Ucrânia pelas bordas.

João Batista Natali / Putin representa sonho de grandeza dos russos Vamos falar de Vladimir Putin. O presidente da Rússia parece estar comendo a Ucrânia pelas bordas.
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Vamos falar de Vladimir Putin. O presidente da Rússia parece estar comendo a Ucrânia pelas bordas. Primeiro ele anexou a Crimeia. E agora, como se tivesse um controle remoto, provoca a confusão em três outras províncias ucranianas, que abrigam populações de cultura russa. E para que ninguém duvide de que os dentes dele estão afiados, ele também ameaça a Ucrânia de invasão. Existem 40 mil soldados russos estacionados na fronteira ucraniana. Os Estados Unidos e a União Europeia defendem a Ucrânia, mas só da boca para fora. Ninguém, no Ocidente, toparia uma operação militar. A OTAN hoje protestou, mas não ameaçou os russos de retaliação. É claro que, teoricamente, as províncias ucranianas de Donetsk, Lugansk e Kharkov podem em breve cair como um castelo de cartas. Mas eu não acredito que seja esse o plano de Vladimir Putin. Ele não quer anexar a Ucrânia. Ele quer que a Ucrânia seja inviabilizada como Estado, como país independente, como território com grande aparato industrial, e com uma agricultura capaz de abastecer em grãos parte do Leste Europeu. Vamos dar uma recuada no tempo. Em 1990, com a União Soviética em desintegração, as repúblicas bálticas - a Letônia, a Lituânia e a Estônia - se separaram da Rússia e entraram na OTAN. Pela primeira vez, o Kremlin passava a contar com uma presença militar hostil em suas fronteiras. A Ucrânia é para os russos um problema parecido. Mas com um potencial de estragos multiplicado por dez. E vejam que estamos falando de uma Rússia que tem ambições bem maiores que a de fazer parte dos Brics, ao lado do Brasil, Índia e China. É uma Rússia que pretende ditar as regras nesse imenso espaço geográfico, onde se juntam a Europa e a Ásia. Vladimir Putin é há mais de duas décadas o homem forte em Moscou. Ele é autoritário, cruel, quase um ditador. Mas os russos se reconhecem nele para seus sonhos de grandeza. Nesse cenário, passar por cima da Ucrânia é apenas um pequeno detalhe. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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