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Juros para consumidores continuam subindo muito

O Banco Central tem grandes desafios pela frente. Um deles, conforme compromisso já assumido por Ilan Goldfajn, é fazer a inflação caminhar para o centro da meta, que é 4,5%.

Juros para consumidores continuam subindo muito O Banco Central tem grandes desafios pela frente. Um deles, conforme compromisso já assumido por Ilan Goldfajn, é fazer a inflação caminhar para o centro da meta, que é 4,5%.
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O Banco Central tem grandes desafios pela frente. Um deles, conforme compromisso já assumido por Ilan Goldfajn, é fazer a inflação caminhar para o centro da meta, que é 4,5%. E, por enquanto, está longe disso, com uma variação, em 12 meses, que passa de 9%. Por outro lado, claro que o governo também quer ter condições de cortar os juros, o que poderia ajudar a dar um fôlego ao consumo e à atividade econômica. É uma cobrança de toda a sociedade. A expectativa é que isso possa acontecer no segundo semestre, se a inflação confirmar um fechamento de ano mais favorável. Na reunião do Copom desta semana não havia como cortar a taxa básica, que continua em 14,25%, justamente, porque a inflação vem superando as projeções. Só que o comportamento da inflação e, consequentemente, a política de juros, também vão depender muito da capacidade do governo de executar o ajuste fiscal ou, pelo menos, de sinalizar um quadro fiscal melhor. Porque um governo gastador também pressiona a inflação. E a situação que Temer encontrou é das piores, com um déficit histórico e despesas difíceis de serem cortadas. As propostas ainda estão sendo elaboradas. Agora, independentemente das decisões do Banco Central em relação aos juros básicos, as taxas para os consumidores continuam subindo, muito, no embalo da crise que prejudica demais a capacidade de pagamento. O mercado cobra mais para compensar o risco de calote, que vem crescendo com o desemprego em alta e a inflação, ainda elevada, que corrói a renda. Pesquisa da Anefac, Associação dos Executivos de Finanças, apontou novos recordes. A taxa média do rotativo do cartão ficou em quase 442% ao ano, a mais alta desde 95, e do cheque especial em mais de 270%. Preste atenção: eu estou falando de taxas médias. Isso quer dizer que tem taxas bem mais altas que essas. O consumidor pode pagar, em média, mais de 15% ao mês se rolar a dívida do cartão. Paga por mês mais do que a taxa básica anual, que está nos 14,25%. Quem está enroscado nessas dívidas tem de buscar uma saída rápida. Nem que seja através de um outro empréstimo, mais barato, ou menos caro, com parcelas fixas. Assim, pelo menos, dá pra fazer um planejamento. O rotativo e o cheque especial são dívidas em aberto que podem virar uma bola de neve. Quem paga o mínimo do cartão, que é 15%, pode pagar menos que os juros. Não termina nunca. Difícil entender taxas neste nível. Mas são as distorções dessa crise histórica que estamos enfrentando. Eu volto na segunda. Até lá.
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