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Medo dos franceses favorece a extrema direita

A França está com medo, depois que passou a euforia de domingo, quando três milhões e meio de franceses saíram às ruas.

Medo dos franceses favorece a extrema direita A França está com medo, depois que passou a euforia de domingo, quando três milhões e meio de franceses saíram às ruas.
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A França está com medo, depois que passou a euforia de domingo, quando três milhões e meio de franceses saíram às ruas, para se solidarizar com as vítimas do terrorismo.

 

O medo atinge em primeiro lugar a comunidade muçulmana. Dos 66 milhões de franceses, no mínimo cinco por cento são muçulmanos. A burrice e o preconceito fazem com que muitos cristãos acreditem que eles têm alguma cumplicidade com os terroristas. Foram os terroristas que há seis dias mataram doze pessoas na redação do Charlie Hebdo. Até ontem, o país havia registrado 50 atos de hostilidade contra essa minoria árabe, sobretudo pichações em mesquitas e cemitérios. Em segundo lugar, o medo atinge os judeus franceses. Eles são menos de 6 milhões. Dois mil policiais agora protegem sinagogas e escolas judaicas. Quatro judeus vítimas do terrorismo foram hoje enterrados em Israel. As famílias concordaram com o enterro em território israelense. Esses quatro eram reféns no supermercado parisiense de alimentos kosher.

 

Existe finalmente o medo de que a França, para se proteger contra o terrorismo, concorde em acabar com um pouco da muita liberdade que ela tem. O governo e a Assembleia Nacional não querem uma versão francesa do Patriot Act, que os americanos adotaram depois do 11 de Setembro. Mas existe um outro lado da questão. Caso os eleitores acreditem que os políticos tradicionais estão fazendo corpo mole, quem tirará proveito será a extrema direita. A Frente Nacional, esse partido safado, que não gosta dos árabes, dos judeus e dos negros, está contente com o atentado ao Charlie Hebdo. Essa gente é uma praga que cresce com o esterco do medo dos outros.

 

Esse ano a França terá eleições municipais. Se a Frente Nacional sair na frente, ela terá toda razão para, infelizmente, se considerar favorita para disputar, daqui a dois anos, a sucessão do presidente socialista François Hollande. É assim que o mundo gira.
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