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A morte de Teori... E o avanço dos que operam o "estancar a sangria"
Comentário de Política, com Bob Fernandes.
Em Porto Alegre grupos à direita, um deles ligado ao MBL, já haviam protestado em frente ao apartamento de Teori. Chamando-o de "bolivariano", "pelego do PT", "traidor".
Depois da queda do avião, o filho do ministro disse:
-Eu realmente temia, mas agora isso não está passando pela cabeça. Fatalidades acontecem; Paraty, chuva, o avião arremeteu e é isso ai. Deu zebra.
Francisco considerou "leviano" fazer conclusão precipitada. Ponderou:
-Seria muito ruim para o país, extremamente pernicioso, que se imagine que um ministro foi assassinado por causa de um processo...Torço para que tenha sido fatalidade.
Articula-se nos bastidores como e para quem será distribuído o processo. Que não desaparece. Não há como estancar 77 delatores e cerca de 900 depoimentos.
No Supremo os depoimentos serão homologados. Mas tudo mais vai atrasar, e muito.
Os que operam para "estancar a sangria" ganham mais fôlego e espaço. O topo do Poder, de todos grandes partidos, foi ou será delatado.
Alguns estiveram no velório. Quase todos soltaram lacrimejantes notas de pesar.
Temer avisou: não indicará novo ministro até ser definido novo relator. Por quê? Porque aí a pressão seria insuportável.
Imaginem indicar como ministro, já, um Alexandre de Moraes? Pela regra primeira, há outras, seria o relator.
Escancaração demais. Melhor esperar novo relator e indicar ministro sob menos pressão.
Investigações dirão o que aconteceu. Se concluírem que foi acidente, milhões não acreditarão na conclusão.
No dia seguinte à queda do avião, segundo a Paraná Pesquisas, "83% dos brasileiros não acreditavam em acidente".
Natural, humano, a negação da morte, do imponderável. Mas essa reação diz muito também sobre um país onde a barbárie, o assassinato de 60 mil por ano, incorporou-se ao cotidiano.
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Indiferença porque os assassinados quase sempre não têm rosto. São apenas estatísticas dos guetos...
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...E diz muito também sobre país onde se alardeia que "todos são corruptos". Menos, obviamente, quem aponta o dedo e o verbo.
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