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Na Argentina, Macri dá uma de Trump

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Na Argentina, Macri dá uma de Trump Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Pois então o presidente da Argentina, Maurício Macri, esteve hoje em Brasília com Michel Temer. Almoçaram juntos. Macri está há 14 meses na presidência. Não conseguiu ainda entregar tudo o que prometeu, como candidato que derrotou o peronismo. Ele herdou uma Argentina destroçada, pela irresponsabilidade fiscal de Cristina Kirchner. Mas, para consertar o país, acabou afetando os mais pobres. Foram eles os prejudicados com o fim dos subsídios, para as contas de água, de gás ou de eletricidade. Os mais pobres são também os que mais sofrem com uma inflação de 40 por cento por cento. Os salários aumentaram menos que isso. Maurício Macri sentiu o golpe em termos de opinião pública. Demitiu no final do ano o ministro da Fazenda, que estava dando um jeito na herança maldita de Cristina, mas que tinha virado o bode expiatório dos sindicatos. A economia argentina até que se recupera. Mas devagarinho. Conseguiu novamente empréstimos externos, depois de uma década de moratória. Mas o desemprego está quase tão alto quanto no Brasil. E Macri não conseguiu diminuir a pobreza. Ela hoje representa 34 por cento da população argentina. É muito para um país que já teve a classe média mais forte da América Latina. Com tantas questões para resolver, Maurício Macri decidiu dar uma de Donald Trump. Baixou um decreto que limita a entrada de imigrantes, e permite a expulsão de quem já foi condenado a alguma coisa no país de origem. Isso afeta bolivianos, peruanos e paraguaios. Os imigrantes não chegam a nem 5 por cento da população. Mas são um ter&cc edil;o dos envolvidos em tráfico de drogas. A Argentina tinha a única polícia competente na América Latina. Precisa construir de novo uma outra igualzinha. Fechar as fronteiras é uma pajelança para receber aplausos de quem tem medo. Macri escorregou no populismo. Que vem a ser a mesma doença política com que os peronistas contaminaram a história da Argentina nos últimos 70 anos. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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