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Nova ata do Copom não sinaliza próximos passos do BC

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Nova ata do Copom não sinaliza próximos passos do BC Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O Banco Central divulgou a ata da reunião da semana passada do Copom, do Comitê de Política Monetária, quando decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano. A ata não teve grandes novidades, mas foi excluída a indicação, que constava de documentos anteriores, da retirada de estímulos. O que, na prática, significa elevação dos juros. Porque juros mais baixos são um estímulo. Mas o Banco Central também não indicou muito o que deve acontecer, se pode haver alguma alteração nas próximas reuniões.

A questão é que há muitas incertezas. A inflação caiu de forma inesperada. Até tem motivos pra a queda, como o corte dos preços dos combustíveis e a mudança da bandeira da tarifa de energia, mas não com tanta intensidade. Índices, agora de dezembro, continuam negativos. Serviços, por exemplo, estão com variação de preços abaixo da inflação média. E é um setor que é muito termômetro da demanda, da atividade.

Portanto, a queda da inflação pode estar relacionada aos reflexos da crise. Reflexos que continuam presentes na ociosidade das empresas, no desemprego, no consumo. Agora, mesmo que seja isso, não dá pra reduzir mais os juros, pra estimular mais a atividade, porque há risco de o futuro governo não avançar com as reformas da forma prevista, provocando instabilidades que chegariam à inflação.

Por outro lado, há risco de desaceleração global ou de alta maior dos juros nos Estados Unidos, que alterem o fluxo de investimentos, também gerando pressões. E ainda tem a projeção mais otimista, de uma reestruturação da economia, que garanta maior crescimento, dando espaço para remarcações de preços. Só que até neste cenário, não se sabe bem o quanto que a economia teria de crescer pra derrubar mesmo o desemprego, fazer o País voltar a uma situação de normalidade.

Então, o Banco Central está numa fase de observação, destacando a importância das reformas que podem garantir maior crescimento e deixar o Brasil mais blindado contra problemas externos. Com as dificuldades que várias economias emergentes vêm enfrentando, por fatores políticos ou econômicos, se o Brasil fizer a lição de casa pode atrair investimentos, mesmo que o quadro internacional não seja dos mais favoráveis. Boa noite.
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