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O governo ainda pode enfrentar muita saia justa

O ajuste fiscal até está avançando no Congresso, o que é positivo.

O governo ainda pode enfrentar muita saia justa O ajuste fiscal até está avançando no Congresso, o que é positivo.
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O ajuste fiscal até está avançando no Congresso, o que é positivo. Diante das disputas políticas, dos embates com o governo, se contava com o risco até de uma rejeição total. No final das contas, as medidas aprovadas, que restrigem benefícios como o seguro desemprego e a pensão por morte, podem nem gerar a economia esperada, mas reduzem bastante as despesas. Agora, o problema é que, mesmo aprovando as medidas, o Congresso continua dando alertas que não está fechado com o governo. Continua tirando da gaveta medidas que podem comprometer muito as finanças, como acabar com o fator previdenciário ou elevar a correção do Fundo de Garantia. No caso do fator previdenciário a presidente Dilma já indicou que pode vetar a medida e Joaquim Levy alertou para medidas que podem exigir mais aumento de impostos. O foco é o ajuste fiscal. O fim do fator, que reduz muito o valor do benefício de quem se aposenta mais cedo poderia acarretar despesas adicionais de até 40 bilhões de reais em 10 anos. Com a fórmula proposta, as mulheres, somando 85 anos entre idade e tempo de contribuição, e os homens 95, já garantiriam a aposentadoria com valor integral. O veto pode livrar o governo de maior desequilíbrio das finanças, mas não do desgaste político, já que iria contra uma medida positiva para os trabalhadores. E podem vir mais surpresas, como a idéia, já defendida pelo presidente da Câmara, de elevar a correção do FGTS. A correção do Fundo de Garantia, na prática, é um roubo em cima do patrimônio do trabalhador. A correção é de 3% ao ano, com a inflação acima de 8%. Mas aí também tem o problema das finanças públicas, da responsabilidade fiscal, do cobertor curto. Não vamos esquecer: os cortes de benefícios, mais que barrar irregularidades, que ocorriam de fato, tenta reduzir os gastos, pra ajudar a gerar superávits das contas públicas. Qualquer concessão que vá no sentido de aumentar as despesas, pode comprometer o ajuste e a confiança quanto ao cumprimento da meta fiscal./ Meta que vai ser até maior a partir do ano que vem. O mais provável é que o governo não deixe mesmo nada disso ir frente. Mas fica o alerta. A base aliada se mostra cada vez menos aliada. O ajuste fiscal pode até sair. O Congresso não quer a responsabilidade de fazer a economia desandar ainda mais. Mas o governo ainda pode enfrentar muita saia justa. Eu volto na segunda. Até lá.
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