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Os embargos à carne brasileira após nova operação da PF

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Os embargos à carne brasileira após nova operação da PF Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

"Mais que a BRF, a operação carne fraca pode prejudicar as exportações para a China, Rússia e Europa. Essa investigação mostra que a primeira etapa da operação, no ano passado, tinha fundamento. Irregularidades têm sido cometidas, no processamento de carnes, e acobertadas com o pagamento de propinas para laboratórios, como agora, ou para fiscais, como se constatou na outra fase.

Mais que o impacto nas exportações, preocupa a qualidade do produto exportado e do consumido no Brasil. É uma questão de saúde, não só econômica. Agora, em relação às exportações brasileiras, o que vem causando maior apreensão são as taxas que podem ser cobradas pelos Estados Unidos, de 25% na importação de aço e 10% na de alumínio. Cerca de um terço das vendas externas desses produtos vai para o mercado americano, o que representa mais de 2 bilhões e meio de dólares/ano.

O Brasil ainda aposta na negociação, demonstrando que essa taxação pode prejudicar até as empresas americanas que teriam um provável aumento de custos, já que a produção local é obsoleta. Mas o clima pesou no âmbito global. Serão vários países atingidos e já se fala em retaliação contra produtos americanos.

Queixas podem não dar resultado, já que Trump não dá muita importância a organismos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio. É a postura que vem assumindo desde quando era candidato. Só que agora pode ir da teoria para a prática, com essa taxação, que, certamente, levaria a conflitos comerciais mais sérios. Para ele, como declarou no final de semana, seriam boas brigas. Mas não é simples assim.

O Brasil e outras 37 economias, reunidos em Genebra, já protestaram, de maneira informal, junto à OMC, que, em um alerta não tradicional, sinalizou que o mundo pode entrar em recessão se a opção for a imposição de tarifas e as consequentes retaliações. O diretor-geral da entidade, Roberto Azevedo, disse que "numa guerra olho por olho todos podem ficar cegos". A Europa já avisou que pode impor restrições a produtos dos Estados Unidos, cujas vendas são estimadas em 3 bilhões e meio de euros.

É como em um tiroteio, não dá pra saber quem vai sair mais ferido. Para o Brasil, além das exportações, haveria reflexos para a atividade do setor siderúrgico que, no ano passado, começou a reagir ao tombo histórico que teve em 2016, ainda trabalhando com uma ociosidade da ordem de 35%. Boa noite."
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