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Os reflexos do aumento da taxa do aço

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Os reflexos do aumento da taxa do aço Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

"A taxação de 25% sobre o aço importado pelos Estados Unidos acabou ganhando relevância no Fórum Econômico, não só por estar sendo realizado em um dos países mais atingidos, que é o Brasil, mas por desdobramentos para o comércio global.

O Brasil é segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos. O primeiro é o Canadá, que ficou fora da medida, entre as exceções, assim como o México, por fazerem parte do Nafta, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Por enquanto, o Brasil aposta mais na negociação bilateral, como destacou o presidente Temer, contando com o apoio de indústrias americanas, consumidoras do aço brasileiro. Elas podem, até, contestar junto ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Ao contrário do que Trump tenta garantir, o protecionismo pode ter consequências negativas para o próprio setor siderúrgico do país, que processa produtos semiacabados vendidos pelo Brasil. Se a negociação não der certo, podem ser impostas restrições a produtos e serviços dos Estados Unidos.

Tivemos recentemente, por exemplo, a aprovação do acordo que retira o limite de vôos entre os dois países. E o Brasil pode recorrer à OMC, a Organização Mundial do Comércio. Uma atitude válida, mas que costuma ter processos bem demorados e Trump demonstra pouca preocupação com organismos internacionais.

Outros países podem sair na frente, como os da União Européia, com uma queixa formal ou retaliações, que podem sobrar para o Brasil se houver uma taxação mais geral contra determinados produtos. É por isso que se fala em perdas para todos, se essa medida não for amenizada. Por tratados internacionais a taxação deveria ficar entre zero e 4,5%, longe dos 25%.

Num momento em que se vê um redirecionamento político de vários países, que passa por uma revisão da abertura comercial, de acordos, como aconteceu com o Brexit na Inglaterra, é importante pensar nos efeitos colaterais que isso pode produzir. Boa noite."
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