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Populismo exibe sinais de desgaste no continente

O primeiro turno da eleição presidencial argentina, no domingo, não representou um resultado isolado.

Populismo exibe sinais de desgaste no continente O primeiro turno da eleição presidencial argentina, no domingo, não representou um resultado isolado.
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O primeiro turno da eleição presidencial argentina, no domingo, não representou um resultado isolado. Ele foi um sintoma dos problemas enfrentados pelo populismo de esquerda na América Latina. Vamos lembrar um pouco o resultado. O candidato de Cristina Kirchner, que se chama Daniel Scioli, esperava entrar firme nos indecisos, e chegar a 45 por cento dos votos, para ser eleito no primeiro turno. Não foi o que aconteceu. Quem fez a colheita dos indecisos foi o liberal Maurício Macri. O peronista teve só 2 por cento a mais, e pode perder no segundo turno de novembro. Um governo meio que irmão de Cristina é o do venezuelano Nicolas Maduro. O país dele renova o Parlamento em dezembro. Se as eleições não forem fraudadas, Maduro, que é o herdeiro político de Hugo Chávez, ficará com menos de um terço dos votos. E depois tem o nosso Brasil. Como vocês viram, agora há pouco, a popularidade de Dilma Rousseff continua lá em baixo, como confirmou, ainda hoje, uma pesquisa da CNT, a Confederação Nacional dos Transportes. Nesse quadro, só se salvam a Bolívia e o Equador. Mas os dois países perderam o dinheiro necessário para financiar suas políticas de assistencialismo. Foi por causa da queda nos preços do petróleo. Quem vai bem no continente são os governos mais liberais, como Colômbia, Peru ou México. É também o caso do Chile, com uma presidente socialista, mas nem tanto. É cedo para se dizer que o populismo no continente entrou em crise. Mas a tendência é por enquanto muito clara. O modelo de intervenção excessiva do Estado criou problemas numa quantidade maior do que resolveu. E, na política, se esgotou o discurso pelo qual nós somos os bonzinhos, e eles, os neoliberais, são o diabo vestido de políticos. Isso não tem muito a ver com os planos de inclusão social. Programas bem parecidos ao bolsa família existem no Chile e o México, sem que eles tenham uma origem na esquerda. Em outras palavras, as coisas estão mudando, na direção das ideias liberais ou de uma centro-esquerda mais arejada. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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