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Pré-campanha na França marcada por paradoxo

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Pré-campanha na França marcada por paradoxo Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Uma coisa interessante está acontecendo na França. É a possibilidade concreta de submeter o Estado a uma dieta de emagrecimento. As instituições públicas competentes fizeram a história da França desde o começo do século 19. Com o passar do tempo, até há coisa de 50 anos, o Estado fornecia aos cidadãos serviços de excelente qualidade. E ninguém se queixava dos impostos, que por lá representam 44 por cento do PIB. Aqui no Brasil são 36 por cento. E é também um Estado honesto. Nunca surgiu na França um escândalo como o da nossa Petrobrás. Acontece que aquele país se endividou e hoje arrecada bem menos do que gasta. Surgiram as comparações internacionais, e a França está muito mal na foto. Continua bem no sistema público de saúde. Mas perde na educação e nas tecnologias. Mesmo assim, até agora a direita e a esquerda defendiam o Estado francês com o peso que ele tem. Algo importante aconteceu anteontem. No primeiro turno das primárias do Partido Republicano, que é conservador, quem chegou em primeiro lugar, foi o ex-primeiro-ministro François Fillon. Pois bem, ele promete coisas que ninguém ousaria antes prometer. Como, por exemplo, cortar gastos e suprimir 500 mil empregos no setor público. As eleições para presidente da República serão no finzinho de abril. Na esquerda, os socialistas nunca estiveram eleitoralmente tão fraquinhos. Se o presidente François Hollande se candidatar, ele não chega ao segundo turno. Mas quem está crescendo é um dissidente dos socialistas, chamado Emmanuel Macron. Ele também propõe cortar o tamanho do Estado. E vejam o paradoxo. Quem hoje defende o Estado, com unhas e dentes, é Marine Le Pen, a candidata da extrema direita. O eleitorado dela quer retirar a França da União Europeia e fechar as fronteiras aos imigrantes. E para isso é preciso pegar de volta as atribuições e um Estado nacional de modelo mais antigo. Ou seja, um Estado paquidérmico e bem grande. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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