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Sociedade colabora, mas quer contrapartida

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo

Sociedade colabora, mas quer contrapartida Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo
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O resultado das eleições foi muito favorável à base de apoio do governo, aos partidos que compõem a base. Isso pode facilitar a tramitação das matérias no Congresso. E Michel Temer tem demonstrado uma boa capacidade de articulação, pra garantir o apoio dessa base. Além disso, boa parte dos prefeitos eleitos, assim como os governadores já vinham fazendo, fala agora em maior austeridade fiscal, em acertar as finanças para recuperar a capacidade de investimento. Na prática, as dificuldades financeiras podem gerar mais pressões, junto ao governo federal, por liberação de recursos. Logo após o primeiro turno, prefeitos em exercício e eleitos já andaram por Brasilia tentando garantir um reforço de Caixa. Mas todos sabem que o cobertor está curto. Basta lembrar esses números, que vimos agora, referentes ao rombo das contas públicas. E este cenário pode levar à adoção de estratégias mais amplas para a reestruturação das finanças, que passam por uma redução da máquina pública, por uma revisão dos gastos com pessoal, até com inativos. Uma das propostas já em discussão é o aumento da contribuição dos servidores para a Previdência e já parece certo que a reforma, a ser apresentada pelo governo, agora em novembro, unifique as regras dos trabalhadores do setor privado e do setor público. Boa parte do rombo que se vê hoje nas contas dos Estados e municípios vem do jeitinho que vinham dando para mascarar o brutal aumento de gastos com pessoal, driblando, inclusive, os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas essa é a conversa dos gestores. Resta obter apoio da sociedade. O índice elevado de abstenções e votos em branco deixa claro o quanto que a população está insatisfeita com os políticos, em geral. Se agora a sociedade é chamada a colaborar, ainda mais, pra cobrir as gastanças promovidas por políticos, sem que haja uma contrapartida, vai ficar complicado. Contrapartida que passa por maior eficiência, menos corrupção e retomada do crescimento, com melhoria dos serviços. Sem sentir que a situação vai melhorar, fica difícil aceitar as mudanças que devem vir com a reforma da Previdência, por exemplo. E a pressão da sociedade também influencia os congressistas, sendo eles da base de apoio ou não. Antes de comemorar o resultados das urnas, melhor pensar nos desafios que terão pela frente. Eu volto na quinta. Até lá.
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