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Temos de nos contentar com o gradualismo

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Temos de nos contentar com o gradualismo Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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Toda a política do governo e o noticiário de economia estão muito atrelados à reforma da Previdência, porque as perspectivas de retomada estão relacionadas a isso. Há até uma certa impaciência com relação ao gradualismo dessa retomada. Se pegarmos as projeções do mercado, insistententemente, o relatório Focus tem mostrado uma previsão de expansão do PIB, este ano, em torno de 0,5%, chegando a 2,5% no ano que vem. Para uma economia que levou um tombo histórico, por dois anos consecutivos, isso parece pouco. Assim como parecem modestos demais os sinais de melhora, como a inflação baixa, a queda dos juros básicos, a reação do comércio exterior, uma certa retomada de atividade dos vários setores. Esses movimentos ainda não trazem muito alívio para a população, diante da perda de poder de compra que vem do período de inflação mais alta, o endividamento elevado, o desemprego que continua batendo recordes. Mas não tem mágica. A economia passou por uma desorganização muito grande, em vários sentidos, e a reorganização demora mesmo. O governo, tendo que segurar as despesas, pra viabilizar o ajuste fiscal, não tem muito como agir pra estimular o crescimento. A burocracia ainda segura as concessões de infraestrutura que poderiam gerar mais atividade. O consumo segue com o freio de mão puxado por todos os fatores que citei. E as empresas, trabalhando com ociosidade, não vão expandir os investimentos tão cedo. Pelo menos, não de forma que faça diferença no andamento geral da economia. Então, temos de nos contentar com o gradualismo. Porém, nem esse gradualismo vai estar garantido se a reforma da Previdência não sair. E isso não é propaganda oficial. Da forma como as contas públicas estão desequilibradas e o rombo do sistema previdenciário aumentando, sem a mudança de regras, o ajuste fiscal não vai acontecer. O que seria péssimo do ponto de vista de credibilidade. E a perda de credibilidade, nas condições atuais, só deixaria ainda mais difícil a saída da crise. O País não acaba sem a reforma da Previdência, mas fica bem mais complicado. O desequilíbrio das contas interfere em todo o processo de retomada, das reações do mercado ao controle da inflação e a queda dos juros, passando pela atração de investimentos. Eu volto na quinta. Até lá.
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