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Tipos de ansiedade: como controlar para ter uma vida melhor

Você sabia que existem diferentes tipos de ansiedade? Meiry Kamia explica como identificar cada um e entender melhor o que você está sentindo.

Tipos de ansiedade: como controlar para ter uma vida melhor Você sabia que existem diferentes tipos de ansiedade? Meiry Kamia explica como identificar cada um e entender melhor o que você está sentindo.
Logo do programa Mulheres
A ansiedade pode aparecer como um frio na barriga antes de uma apresentação ou como um estado de alerta que não desliga. A diferença está na intensidade, na frequência e no impacto sobre a rotina. No programa Mulheres, da TV Gazeta, a especialista Meir Camia explicou como pensamentos catastróficos, sintomas físicos, emoções e comportamentos de esquiva se combinam.

Além de apresentar os principais tipos de ansiedade, Meir Camia mostrou exercícios de organização e enfrentamento gradual. A especialista ressaltou que episódios pontuais não significam necessariamente um transtorno e que a avaliação deve ser feita por psicólogo ou psiquiatra quando o sofrimento passa a fazer parte do dia a dia.

 

 

Ansiedade normal e ansiedade que atrapalha a vida


Segundo Meir Camia, o medo é uma emoção que protege. Ele pode levar uma pessoa a olhar para os dois lados antes de atravessar a rua ou a calcular melhor antes de gastar dinheiro. Nesse nível, a ansiedade é entendida como um alerta controlável, associado à prudência.

O quadro muda quando o sistema de proteção psicológico permanece ativado o tempo todo. A pessoa pode viver com medo de ser assaltada, de não conseguir pagar uma conta, de que uma criança tenha algum problema ou de receber uma notícia ruim sobre a própria saúde. Em vez de orientar uma ação concreta, a preocupação passa a gerar sofrimento antecipado.

A especialista também diferenciou uma ansiedade que dá energia para uma atividade desejada daquela que paralisa. Uma entrevista de emprego muito desejada ou a preparação para uma viagem podem provocar animação e disposição. Já a preocupação contínua, que permanece por meses e interfere na rotina, foi apresentada como um sinal de alerta para buscar avaliação.

 

Os quatro efeitos da ansiedade no corpo e na mente


Para explicar como a ansiedade se manifesta, Meir Camia dividiu os efeitos em quatro dimensões. A separação é didática: na experiência de quem sofre, as reações podem ocorrer ao mesmo tempo.

  1. Corpo: falta de ar, palpitação, tremores, pernas bambas e tensão muscular aparecem como reações associadas ao medo. A especialista também citou alterações intestinais, como o intestino travar ou desandar.

  2. Pensamentos: a ansiedade tende a produzir preocupações voltadas para o futuro, geralmente com um desfecho negativo e catastrófico. Uma conta a pagar pode ser imaginada como o início de uma sequência que levaria à falta de dinheiro, à perda da escola do filho e até à situação de ficar sem moradia.

  3. Emoções: medo, vergonha, irritação e impotência podem surgir juntas. Antes de uma palestra, por exemplo, a pessoa pode imaginar que terá um branco, será considerada incapaz e, depois, sentir raiva de si mesma por estar preocupada.

  4. Comportamento: a pessoa começa a evitar festas, reuniões, empregos que exigem contato com o público e tarefas que precisam ser resolvidas. A procrastinação mantém o problema presente, mas não produz uma solução.


O medo de julgamento pode existir em qualquer pessoa, mas, de acordo com a explicação apresentada no programa, torna-se preocupante quando ocupa tempo e energia demais, paralisa e faz a pessoa perder a direção das próprias ações.

 

O que é ansiedade generalizada?


A ansiedade generalizada foi descrita como uma preocupação excessiva que pode atingir várias áreas da vida. Saúde, dinheiro, trabalho e relacionamento podem funcionar como gatilhos. Uma pequena alteração no corpo, por exemplo, pode ser interpretada imediatamente como sinal de uma doença grave. A consulta, o exame e o resultado também passam a ser encarados com medo.

O mesmo padrão pode aparecer nas finanças. Uma pessoa recebe um boleto, percebe que o dinheiro está limitado e imagina que não conseguirá pagar as contas, que a família passará fome ou que a situação terminará em uma catástrofe. A especialista chamou atenção para a distância entre essa fantasia e os fatos que realmente aconteceram.

A preocupação constante também pode afetar o descanso e o corpo. Meir Camia relacionou esse estado à dificuldade para dormir, ao cansaço, à irritação e à tensão muscular, com dores no pescoço, nas costas ou nas pernas. No cotidiano, a pessoa pode ficar mais agressiva no trânsito e reagir com irritação a familiares.

Na avaliação apresentada, a pessoa precisa reorganizar a forma como percebe o mundo para reagir de maneira mais adequada às situações. Como os temas da preocupação podem ser muitos, qualquer assunto pode ser interpretado como ameaça.

 

Ansiedade social: quando o medo de julgamento leva ao isolamento


O transtorno de ansiedade social foi associado especificamente às relações e às situações de exposição. Falar em público, ir a uma festa, conversar com alguém desconhecido ou voltar a uma loja para reclamar de um produto são exemplos de situações que podem provocar medo intenso.

Esse receio também pode impedir a pessoa de pedir aumento de salário ou defender os próprios direitos como consumidora. Em vez de voltar à loja para resolver um problema, ela pode preferir aceitar o prejuízo para não precisar falar com o lojista.

Os sintomas citados incluem falta de ar, tremores, sensação de descontrole e branco na hora de falar. Depois da situação, a pessoa ainda pode ficar pensando no que deveria ter dito. Porém, segundo Meir Camia, muitas pessoas nem chegam a enfrentar o momento: evitam sair, conhecer gente e participar de atividades por medo de que os outros percebam sua insegurança e façam julgamentos.

A especialista diferenciou ansiedade social de timidez. A pessoa tímida pode responder quando alguém fala com ela; na ansiedade social, o medo pode ser tão intenso que provoca mal-estar, fuga e isolamento.

 

Transtorno do pânico e o medo de sentir medo


Um episódio de pânico pode acontecer ao longo da vida sem significar, por si só, a existência de um transtorno. A explicação apresentada no Mulheres relacionou o transtorno à recorrência e ao fato de os episódios começarem a fazer parte da rotina.

Ao contrário de situações em que há um gatilho identificável, o pânico pode surgir aparentemente do nada. A pessoa pode estar dirigindo ou caminhando e começar a sentir o coração bater muito forte. A intensidade da reação pode levar à impressão de que está tendo um infarto ou morrendo.

Meir Camia explicou que prestar atenção constante aos sintomas pode aumentar a ansiedade. O coração acelera, a pessoa percebe a aceleração, fica ainda mais assustada e entra em um ciclo de aumento da percepção corporal e do medo.

Com o tempo, o próprio receio de ter uma nova crise pode se transformar em gatilho. A especialista citou o exemplo de alguém que subia escadas, sentia o coração bater mais rápido por causa do esforço e interpretava essa reação como sinal de um infarto. A partir daí, uma sensação física comum passava a desencadear outros sintomas.

 

Fobias e estresse pós-traumático têm características diferentes


As fobias foram apresentadas como medos intensos ligados a estímulos específicos. Aranhas, baratas, ratos, lugares fechados e ambientes muito cheios foram citados como exemplos. A diferença em relação a um medo comum está na intensidade: na fobia, a reação pode ser desesperadora e fazer a pessoa passar mal, como se estivesse diante de uma ameaça enorme.

Um medo normal ainda permite algum enfrentamento. Meir Camia contou que não gostava de baratas, mas precisou lidar com uma em casa porque estava com o filho pequeno e queria mostrar que conseguiria enfrentar a situação. Na fobia, explicou, a pessoa perde esse controle e manifesta uma reação exagerada.

Já o estresse pós-traumático pode surgir depois de uma experiência que provoca choque emocional. A especialista citou abuso sexual, briga, assalto, acidente e a morte de alguém querido como possíveis situações relacionadas ao trauma.

Nesse caso, qualquer elemento que lembre o acontecimento pode funcionar como gatilho: um cheiro, um ambiente, um cenário ou uma pessoa. A lembrança volta com intensidade, como se o episódio estivesse acontecendo outra vez. A atenção fica direcionada a sinais de perigo relacionados ao trauma, e a pessoa pode se sentir presa àquela experiência.

 

Por que o autoconhecimento e a auto-observação foram destacados


Para Meir Camia, o autoconhecimento começa pela auto-observação. A proposta é perceber qual situação dispara a ansiedade e investigar o que está por trás desse gatilho. A especialista também relacionou o sofrimento à dependência de aparências e do status, quando a perda de um bem ou de uma posição faz a pessoa sentir que perdeu a própria identidade.

A ideia apresentada é que funções, objetos e posições sociais podem mudar sem que a pessoa deixe de ser íntegra. O alicerce interno, segundo a especialista, seria construído pelo autoconhecimento e pelo processo vivido para conquistar algo, não apenas pelo objeto ou pelo reconhecimento obtido.

A meditação foi citada como uma prática que pode ajudar no momento de uma crise, assim como o exercício. Porém, Meir Camia afirmou que essas práticas, sozinhas, não resolveriam o gatilho ou a causa da ansiedade. Na explicação, cuidar apenas do sintoma não substituiria a compreensão do que está provocando o estado de alerta.

 

Exercícios apresentados para organizar a preocupação


A especialista propôs direcionar a energia gerada pela ansiedade para atividades construtivas. A ideia é reduzir o tempo gasto pensando nos mesmos problemas e aumentar a atenção dedicada a ações concretas.

Agenda de resolução de problemas



  1. Escreva em uma agenda ou em uma folha todos os problemas que estão ocupando sua mente.

  2. Escolha um horário fixo do dia para lidar com essa lista. O exemplo apresentado foi sentar às 18h durante meia hora.

  3. Para cada item, identifique qual decisão precisa ser tomada, o que pode ser feito e com quem é necessário conversar.

  4. Reconheça os assuntos que não dependem de você e concentre-se no que está ao seu alcance.

  5. Repita a prática diariamente, para não precisar gastar energia pensando no problema durante o dia inteiro.



Lista de tarefas com tempo definido


Outra sugestão foi anotar tarefas domésticas, como arrumar uma gaveta, organizar o armário ou lavar a louça, e indicar quanto tempo cada uma pode levar. Quando a ansiedade surgir, a pessoa deve direcionar a atenção para uma atividade dentro do tempo disponível, como arrumar algo durante dez minutos.

 

Escada da coragem para situações sociais


Para quem evita falar com outras pessoas ou se expor, a orientação foi avançar em pequenos degraus. Durante uma semana, o desafio seria cumprimentar as pessoas ao redor com um “bom dia”, sem depender de uma resposta. Na segunda semana, a pessoa poderia iniciar um assunto simples, como comentar sobre a mudança do tempo, aproveitando uma fila ou o caixa. Na terceira, o desafio seria conhecer alguém diferente.

O objetivo é acumular pequenas vitórias e aumentar gradualmente a dificuldade. Na explicação de Meir Camia, quando a pessoa realiza uma ação temida e percebe que conseguiu passar por ela, o cérebro pode deixar de tratá-la como uma ameaça tão grande. A repetição ajudaria a construir confiança entre aquilo que a pessoa diz que fará e aquilo que efetivamente faz.

 

Quando procurar avaliação profissional


O diagnóstico não deve ser feito pela própria pessoa a partir de uma lista de sintomas. Meir Camia afirmou que a avaliação é realizada por psicólogo ou psiquiatra, a partir do relato sobre o dia a dia e sobre a duração do sofrimento.

Ansiedade ocasional, um susto ou um frio na barriga podem fazer parte da vida. A recomendação apresentada no programa foi procurar ajuda quando o estado de alerta se torna frequente, persiste e começa a interferir nas atividades, nos relacionamentos, no trabalho ou na capacidade de resolver problemas.

Os tipos citados — ansiedade generalizada, ansiedade social, transtorno do pânico, fobias e estresse pós-traumático — têm características diferentes, mas todos foram apresentados como situações que podem receber tratamento especializado. A identificação do padrão e dos gatilhos é uma etapa importante para entender o que está acontecendo.

 

Perguntas frequentes


 

Qual é a diferença entre ansiedade normal e transtorno de ansiedade?


A ansiedade normal funciona como alerta e pode ajudar na prudência diante de riscos. O transtorno é associado a medo e preocupação intensos, persistentes e capazes de causar sofrimento ou atrapalhar a rotina.

 

Quais são as quatro dimensões da ansiedade?


Os efeitos foram organizados em corpo, pensamentos, emoções e comportamento. Podem surgir sintomas físicos, pensamentos catastróficos, medo ou irritação e atitudes de esquiva ou procrastinação.

 

O que caracteriza a ansiedade generalizada?


É a preocupação excessiva que pode se espalhar por vários temas, como saúde, dinheiro, trabalho e relacionamentos. A pessoa tende a imaginar desfechos muito negativos mesmo quando nada grave aconteceu.

 

Ansiedade social é o mesmo que timidez?


Não. A timidez pode permitir que a pessoa responda a uma interação; na ansiedade social, o medo de julgamento pode provocar mal-estar, fuga, esquiva e isolamento.

 

Um ataque de pânico significa que a pessoa tem transtorno do pânico?


Não necessariamente. A explicação apresentada diferencia um episódio isolado de um transtorno, que envolve recorrência e presença dos episódios na vida da pessoa.

 

Quais exercícios foram sugeridos para lidar com a ansiedade?


Foram apresentados uma agenda para reservar horário aos problemas, uma lista de tarefas com tempo definido e a escada da coragem, com desafios sociais graduais.

 
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