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Vinicius Torres Freire / Inflação parece que baixa, mas anda na mesma

A inflação deste mês veio menor do que a do mês passado, que foi bem horrível.

Vinicius Torres Freire / Inflação parece que baixa, mas anda na mesma A inflação deste mês veio menor do que a do mês passado, que foi bem horrível.
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A inflação deste mês veio menor do que a do mês passado, que foi bem horrível. O preço da comida está subindo menos, vai ficar menos pesado nos próximos meses, mas ainda vem subindo mais do que a média da inflação.
No final das contas, no conjunto geral dos preços, a inflação continua no mesmo ritmo dos últimos cinco anos, mais ou menos. Por vezes um pouco maior do que 6% ao ano, como agora, por vezes um pouco menos. Mas rodando em torno de 6%. Inflação assim reduz ou impede o aumento do poder de compra dos salários. Torna os produtos brasileiros mais caros, o que faz a nossa indústria perder mercados lá fora. Tudo somado, faz o Brasil crescer um pouco menos, entre outros problemas.
Qual a perspectiva para a inflação até o final do ano e no ano que vem? Na previsão dos economistas do Itaú, por exemplo, divulgada hoje, a inflação fecha o ano em 6,5%. Em 2015, fica no mesmo lugar, 2015. Uns preços vão cair, mas no ano que vem a energia elétrica vai ter um salto grande, vai ter mais reajuste da gasolina, os transportes públicos vão subir. Tudo depois da eleição.
Inflação por volta de 6,5% significa que a taxa de juros vai subir mais um pouco, vai ficar alta até 2016. Taxa de juros alta obviamente reduz o consumo, pois fica mais caro financiar qualquer compra. Além do mais, reduz a vontade do empresário de investir em expansão dos negócios ou em negócios novos. Com menos consumo e investimento, a economia vai continuar crescendo assim, a 2% ao ano, mais ou menos, como tem acontecido desde o início do governo Dilma. Com menos crescimento, haverá menos espaço para reajuste de salários, menos empregos novos. O governo vai arrecadar menos impostos. Assim, vai ter menos dinheiro para gastar mais em programas sociais, reajustes da aposentadoria, do salário mínimo, em mais hospital.
Não é um desastre. Mas é uma armadilha de crescimento baixo, um problema que não aparece logo, como numa crise, mas vai impedir o país de progredir logo, logo. Para que não seja assim, o país precisaria fazer uma dieta forte em 2015. Dietas sempre são incômodas ou dolorosas. Mas, sem um período de sofrimento, a gente não vai voltar a progredir rápido outra vez. No entanto, a candidata Dilma Rousseff e mesmo a oposição não parecem inclinados a fazer essa dieta, a tomar os remédios ruins em 2015. Ou se querem, não vão contar tal coisa antes da eleição.
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